A Literatura Universal tem imortalizado os grandes amores dos famosos casais de outrora, desde os séculos já passados, como Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Dante e Beatriz, Abelardo e Eloisa (feminino de Eloi) e até mesmo os nossos mais próximos, Marília e Dirceu, cujos amores são incontestes e incomparáveis. Nos séculos mais próximos, XX e o mais novinho, XXI, algumas celebridades cinematográficas e televisivas têm sido tratados de casais 20 pela mídia, querendo lhes atribuir tão grandes amores deles quanto os dos antigos casais amorosos do passado.
Pois eu conheci, convivi e testemunhei um verdadeiro casal 20 dos nossos dias: o Muricy e a Maria Luiza, de cujo amor nascente fui testemunha e incentivadora: eu pedi à mãe dela para levá-la aos bailes do Bauru Tênis Clube, comigo e com o meu marido, onde ela se encontrava com o Muricy e assim começou o namoro que culminou com o casamento mais perfeito que eu conheci, em termos de amor, companheirismo, convivência e cumplicidade, que são os componentes certos para um casamento perfeito.
Às vezes até parecia que eles estavam brincando de casinha. Acho que eles nunca nem tiveram ciúmes um do outro, porque tinham tanta certeza de seus sentimentos que era como se os dois fossem um só, na unicidade daquilo que sentiam. Junto com o Muricy ela foi também acadêmica, erudita, professora e toda a grandeza de alma e de intelecto que ele vivenciou ela vivenciou junto, tanto que nós, acadêmicos sentíamos a Maria Luiza como se também fosse uma de nós.
E agora que o Muricy partiu para o além, e eu sempre soube que somente mesmo a morte do corpo é que poderia separá-los, eu acredito, conforme disse para a Maria Luiza, que essa separação é apenas temporária, é como se o Muricy tivesse viajado, desta vez sem levá-la, mas na certeza de que essa mesma viagem ela também fará um dia e assim eles estarão, outra vez e como sempre, juntos, deixando para filhos e netos o que de mais sublime se pode ter nesta e na outra vida: o Amor.
Isolina Bresolin Vianna