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A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, sigla em inglês) usou dados de monitoramento de acesso à pornografia, entre outras ferramentas, para tentar afetar a credibilidade de adversários do país, em especial radicais islâmicos. A informação foi publicada nesta quarta-feira (27) pelo site Huffington Post.
Com base em documentos obtidos pelo ex-prestador de serviços da agência Edward Snowden, a página afirma que a NSA usava também conversas com mulheres mais novas, uso de linguagem vulgar e outros dados para desabonar alguns potenciais terroristas ou instigadores de ações criminosas.
As informações foram apresentadas aos funcionários da agência em um documento de outubro de 2012, em que seis pessoas são analisadas. Os indivíduos vigiados não tiveram seus nomes revelados no texto, mas eram mostrados como exemplo de "comportamentos públicos e privados inconsistentes".
Segundo o documento, os seis monitorados não foram diretamente acusados de estar envolvidos em planos terroristas, embora tenham dado apoio a atividades terroristas. A agência afirma que, dentre eles, há um em que é usada a expressão "U.S. Person", que pode indicar um cidadão americano ou um residente permanente.
Dos vigiados, dois deles acessaram sites de pornografia, de acordo com dados de navegação recolhidos. Um deles teria publicado informação relacionada com comunicações de grupos extremistas sunitas, enquanto o outro foi usou o argumento "não muçulmanos são uma ameaça ao islã" em um fórum de internet.
O terceiro alvo era um estrangeiro que a NSA descreve como um "acadêmico respeitado" que havia afirmado que a ação de grupos extremistas era "justificável". Ele foi listado nas categorias "promiscuidade virtual" e "publicação de artigos sem checar os fatos".
Os outros monitorados eram uma celebridade do Oriente Médio que acusou os Estados Unidos de terem feito os atentados de 11 de setembro e é depreciado por ter "um estilo de vida glamouroso" e um quarto, que faz a mesma acusação e tem como ponto contrário o uso indiscriminado de recursos.
Descrédito
O documento também não indica como foi feito o plano de descrédito a esses seis indivíduos, assim como não faz menção às implicações éticas ou legais sobre a espionagem. A agência afirma que as frases dos vigiados repercutiram mais em Reino Unido, Alemanha, Suécia, Quênia, Paquistão, Índia e Arábia Saudita.
Também não há informações sobre se a espionagem teria atingido pessoas não relacionadas ao terrorismo. Em entrevista ao Huffington Post, o diretor de relações públicas do setor de inteligência dos Estados Unidos, Shawn Turner, disse que a situação não deveria ser uma surpresa.
"Sem discutir indivíduos específicos, não seria uma surpresa que o governo americano use ferramentas dentro da lei como parte de nossa disposição para impedir as atividades de alvos terroristas válidos, que desejam ferir a nação e incitar o radicalismo dos outros".