09 de julho de 2026
Polícia

Cabeleireiro foi queimado ainda vivo

Vitor Oshiro com Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Ainda com as investigações em curso, a Polícia Civil já tem a noção exata do grau de crueldade com que o cabeleireiro José Henrique da Silva, 48 anos, foi morto. Exames necroscópicos apontam que a vítima, encontrada em um carro em chamas no mês passado, foi carbonizada viva. A apuração policial já traçou uma lista de pessoas que podem auxiliar no esclarecimento ou mesmo estarem ligadas ao crime.

Conforme o JC noticiou, o homem foi localizado na madrugada do dia 15 de outubro na quadra 14 da rua Jorge Schneyder Filho, no limite entre os bairros Parque Bauru e Ferradura Mirim. O cabeleireiro, que residia na Vila Paraíso, estava dentro do porta-malas de seu Fiat Stilo e teve 90% do corpo carbonizado.

“Os exames mostraram que havia fuligem em seu pulmão. Isso significa que ele estava vivo quando foi carbonizado. Teve queimaduras de segundo, terceiro e quarto graus”, revela o delegado Kleber Granja, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Central de Polícia Judiciária (CPJ).

Os laudos ainda apontaram que José Henrique teve um corte superficial de seis centímetros na cabeça. De acordo com o delegado, trata-se de um ferimento corto-contuso na região superior direita, porém, que não causou traumas.

O cabeleireiro estava nu e com as mãos amarradas para trás. Além de um fio de extensão elétrica, havia ainda uma fivela queimada, demonstrando que ele foi também amarrado com um cinto.

No veículo, a perícia concluiu que o epicentro do incêndio ocorreu no encosto de cabeça do banco direito traseiro. “Aquele local foi embebido com um líquido inflamável, provavelmente álcool etílico”, explica o delegado.

Digital

A Polícia Civil aponta que as investigações já estão avançadas. No local do crime, foi achada a garrafa onde é provável que estava o líquido inflamável usado no crime. “Nela, foram achados traços de impressão digital que podem ser do suspeito. Contudo, não vamos dar mais detalhes dessa perícia para não atrapalhar o andamento”.

Foram obtidas ainda imagens de câmeras de segurança de um estabelecimento que a vítima esteve na noite do crime. “Lá, ele estava sozinho. Depois, passou em uma padaria também sozinho. Mas com base nessas imagens conseguimos definir a hora do crime, que foi entre meia-noite e 2h da manhã”, revela Kleber Granja.

O delegado completa que, após muitos depoimentos, foi possível traçar o que ele chama de perfil social da vítima. E uma das teses é de que o assassino seria do convívio da vítima. “Já traçamos uma lista de pessoas que podem ajudar diretamente na investigação ou até mesmo ser o autor”, conclui.


Autor levou dinheiro da vítima

A polícia ainda trabalha com duas hipóteses para a morte cruel de José Henrique da Silva. Homicídio seguido do furto (teria ocorrido por um motivo que não somente levar o dinheiro) ou mesmo o latrocínio (assassinato exatamente para roubar a vítima). De um detalhe a polícia sabe: é bastante provável que foi levada uma quantia considerável da vítima.

“Familiares e até outras testemunhas disseram que ele sempre andava com uma boa quantia em dinheiro. Então, trabalhamos ainda com essas duas possibilidades”, relata o delegado Kleber Granja. 

José Henrique foi, de acordo com levantamento extraoficial do Jornal da Cidade, a 27ª pessoa assassinada em Bauru em 2013. Além das circunstâncias da morte, o perfil da vítima chamou a atenção por ser bastante diferente da maioria dos casos de homicídio em Bauru.