O presidente do Tribunal Supremo Eleitoral de Honduras, David Matamoros, decretou na noite de ontem a vitória do candidato governista Juan Orlando Hernández na eleição presidencial do país. A decisão provoca polêmica, já que foi anunciada com 81,54% dos votos apurados.
O resultado é contestado pela segunda colocada, a esquerdista Xiomara Castro, mulher do presidente Manuel Zelaya, deposto pelos militares em 2009. Pouco antes da declaração, Zelaya afirmou que fará um protesto contra o que chamou de roubo na eleição.
No momento da declaração oficial, Hernández liderava com 35,88% dos votos, contra 29,14% de Xiomara. O presidente do tribunal eleitoral afirmou que a declaração oficial será emitida nos próximos dias, com todos os votos apurados, mas que os números "indicam claramente" que o vencedor é Hernández.
A eleição presidencial de Honduras não tem segundo turno. Os resultados não foram reconhecidos por Zelaya, que acusa o governo de fraudar os resultados. Em entrevista à imprensa local, ele afirmou que convocará manifestações contra o pleito.
"Roubaram a vitória do [partido] Libre e de Xiomara [Castro]. Vamos provar isto", afirmou o presidente deposto, que prometeu protestos pacíficos e a defesa do que chamou de vontade popular "com tudo o que possuímos".
Zelaya estimou que se confirmado, o futuro governo conservador será "muito débil" porque conta apenas com pouco mais de 30% dos votos. Xiomara Castro disse que as provas da fraude serão reveladas em entrevista coletiva amanhã, quando saberão de "grandes irregularidades".
Congresso
O presidente deposto destacou que "o governo perdeu o Congresso", que "é o primeiro poder do Estado" e onde são tomadas as decisões.
Segundo projeções, o Partido Nacional elegeu 47 deputados, o Libre, 39; o Partido Liberal (PL, direita), 26, e o Partido Anticorrupção (PAC, centro-direita), 13.
No atual Congresso, presidido e controlado por Hernández, o PN tem 71 deputados, o PL, 55, e as outras três forças minoritárias compartilham 12 cadeiras.
Observadores da União Europeia (UE) e da Organização dos Estados Americanos (OEA) qualificaram como "transparentes" e "confiáveis" as eleições de domingo em Honduras.