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Em visita surpresa dos bombeiros, Erick da Silva andou de viatura e usou as roupas de resgate: surpresa de criança |
Em setembro do ano passado, a casa humilde localizada aos fundos de outro imóvel, no Santa Edwirges, foi destruída por um incêndio. No dia, o pequeno Erick Luiz Mendes da Silva, 7 anos, só observou a tristeza da mãe ao ver tudo sendo consumido pelas chamas. “Se acontecer de novo, eu irei ajudar a apagar o fogo”, conta o garoto. Para realizar o sonho de ser bombeiro, ele pediu ajuda ao Papai Noel.
O menino, “que lê e escreve desde os 5 anos e corrige até os mais velhos” (palavras da mãe orgulhosa), está no segundo ano da Escola Estadual Professora Sebastiana Valdiria Pereira da Silva. Em uma tarefa do colégio, foi solicitado que a turma escrevesse uma cartinha ao Papai Noel. Os pedidos seriam encaminhados aos Correios.
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Malavolta Jr. |
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Ao ler a cartinha do Papai Noel de Erick, professora levou pedido aos bombeiros e eles foram até a escola |
A professora Milena de Figueiredo, contudo, surpreendeu-se ao ver o que Erick queria. E resolveu encurtar o caminho até o Papai Noel. Ela foi ao Corpo de Bombeiros e explicou o sonho do garoto.
Na manhã de ontem, veio a surpresa. Enquanto o menino estudava, chegaram as viaturas da corporação. “Foi muito legal. Eu andei na viatura do Resgate e tudo mais. E ainda ganhei um caminhão de bombeiros de brinquedo que eu queria”, conta o garoto.
Mas para o sonho ser completo precisava da famosa roupa da corporação. E ela veio. Com o calor que fazia na manhã de ontem, com certeza, Erick era a pessoa mais feliz do mundo com toda aquela vestimenta. O sorriso deixava isso bem claro.
Sorriso, por sinal, que quase nunca vem. “O Erick sempre foi um menino muito tímido. É um dos melhores alunos. Mas sempre foi muito quieto e sério. Parece ter um ar triste mesmo”, relata a vice-diretora do colégio, Cleonice Viana Celestino Ventura, 46.
A dificuldade em sorrir veio da infância, revela a mãe Jaqueline Cristina Mendes da Silva, 27 anos. Porém, o jeito sério do garoto se tornou mais intenso no início deste ano. “O pai dele é usuário de drogas e acabou sendo preso. Faz muita falta a ele. Ele ficou ainda mais tímido”, conta.
Timidez ou seriedade de quem se tornou o homem da casa? Além da mãe, ele tem duas irmãs, com idades de 3 e 10 anos.
“Um dia, o pessoal da escola veio me contar que, lá, eles colocam legumes para as crianças trazerem para casa. Ele pegou uma sacolinha e separou pensando no que eu ia fazer para a janta. Que criança de 7 anos que faz isso?”.
Incêndio
O incêndio que fez com que Erick criasse o sonho de ser bombeiro ocorreu em setembro de 2012. Sob o efeito de drogas, o pai dele esqueceu uma lamparina acesa e a casa pegou fogo. “Minha mãe ficou muito triste naquele dia. E eu vou poder ajudar se acontecer isso de novo”.
Desde o incêndio, a mulher e as três crianças foram morar na residência de seu irmão. Os quatro dividem a renda mensal nas despesas fixas e na reconstrução da casa.
“Dá uns R$ 800,00 por mês”, conta a auxiliar de cozinha, que trabalha em dois empregos. “Eu não conseguiria comprar esse caminhãozinho para ele com o que eu ganho”.
Na tarde de ontem, a irmã mais nova brincava com o carrinho que Erick ganhou. Para quem esteve no caminhão dos bombeiros de verdade, o sonho do garoto agora é mais do que um simples brinquedo.
“Quero ser bombeiro mais do que nunca”, completa o menino, que ainda recebeu o convite para conhecer a corporação de perto no fim de semana.
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Malavolta Jr. |
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A mãe de Erick, Jaqueline da Silva, conta que o filho afirma desde pequeno que nunca a fará chorar |
‘Ele disse que nunca me faria chorar’
A mãe de Erick, Jaqueline da Silva, é uma chorona confessa. Ao falar do filho, do companheiro, da casa perdida e de tudo mais, seus olhos enchem de lágrimas. “Ela é chorona mesmo”, confirma o garoto.
Por conta disso, o filho fez uma promessa para ela. “Desde que ele era pequeno, ele diz isso. Diz que nunca me faria chorar. É algo que nunca esqueço”, conta, para variar, emocionada.
Ontem, porém, o filho quebrou a promessa. “Chorei muito. Desde que vi ele saindo da escola, eu comecei a chorar. Mas chorei de felicidade”, relata Jaqueline, que entrou atrasada no serviço para ver a surpresa.
Ao ver a alegria do filho, parece que até Jaqueline começou a acreditar em Papai Noel. E o presente que ela quer é, finalmente, conseguir voltar para a casa destruída no incêndio. “Está quase tudo pronto. Falta só a pintura e a fiação. Espero que, até o fim do ano, tenhamos conseguido tudo”, destaca.
Pegue sua cartinha
Ao saber do sonho de Erick, a professora resolveu encurtar o caminho em direção ao Papai Noel. Porém, muitas crianças contam com a solidariedade para ter um Natal feliz. E a população pode ajudar. Trata-se da tradicional campanha dos Correios.
Até 6 de dezembro, a casa do Bom Velhinho, instalada na unidade do Centro, ficará à disposição dos pequenos para o recebimento das tradicionais cartinhas com pedidos de Natal.
Simultaneamente, os interessados em participar da ação, chamados de padrinhos, terão até o dia 13 de dezembro para adotar os pedidos e entregar os presentes nas agências.
São aceitas cartas manuscritas de crianças com até dez anos de idade com pedidos de brinquedos, preferencialmente. Os presentes deverão ser entregues pelos padrinhos nas mesmas agências onde a adoção das cartas foi feita.