|
Divulgação |
|
|
|
Domingos Oliveira se diz irritado com o cinema nacional |
O diretor e dramaturgo carioca Domingos Oliveira, 77, está irritado. "A legislação e a mentalidade do cinema no Brasil me deixam puto, estão me levando à ruína", diz. Ele explica que as dificuldades de produzir um longa e depois colocá-lo no mercado está cada vez maior.
Afirma que, ao longo da vida, gastou todo o seu dinheiro fazendo filmes e peças e não sobrou quase nada. Apesar de ressaltar esse panorama pessimista, Domingos acaba de lançar dois filmes de uma vez só, "Primeiro Dia de um Ano Qualquer" e "Paixão e Acaso". Ambos tiveram estreias modestas neste fim de semana em São Paulo e no Rio de Janeiro. Serão exibidos apenas em três salas no país.
A briga por espaço com gigantes como "Jogos Vorazes: Em Chamas" e "Thor - O Mundo Sombrio", em cartaz, não fazem o cineasta jogar a toalha. Encontrou como alternativa rodar produções de baixo orçamento, muitas vezes com a colaboração de amigos.
"Primeiro Dia de um Ano Qualquer" tem esse clima. Filmado na casa de campo da atriz Maitê Proença, localizada na serra fluminense, o longa mostra um grupo de amigos reunidos após a passagem do ano. Tudo se passa em um dia.
Nesse intervalo ilusões são desmontadas uma a uma. A atriz prestes a interpretar Shakespeare (Priscilla Rozenbaum) descobre a traição do marido (Alexandre Nero). Consuelo (Maitê), a dona da casa, teme que o namorado esteja apaixonado pela filha. A caseira (Clarice Falcão) é demitida e briga com o jardineiro do local.
Enquanto isso, Domingos interpreta a si próprio, sob o nome de Napoleão. Um cineasta que anda com um livro do filósofo Cícero a tiracolo. Temas como riqueza, comunismo, traição e casamento fazem parte das discussões. Sempre seguidas de aforismos que buscam fechar a ideia, como "o trabalho é uma indignidade inventada pelo homem" ou "amar é querer o bem do outro".
Em "Paixão e Acaso", a atriz Vanessa Gerbelli interpreta uma psicanalista atormentada pelo fantasma do pai. Ela se apaixona por dois pacientes sem saber que são pai e filho.
Trabalhar com baixo orçamento não é uma preocupação do diretor. "Filmei com pouquíssimo dinheiro esses dois filmes, o que é saudável, torna a obra mais livre", diz.
Seu pensamento é continuar filmando. Além dos dois lançamentos, trabalha num livro de memórias e pretende finalizar nos próximos meses um filme baseado na sua peça "Do Fundo do Lago Escuro", com a atriz Fernanda Montenegro no elenco.