09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O imortal também morre


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Existe uma afirmação fantasiosa de que todo aquele que é convidado e recebido por uma academia de letras torna-se imortal. Tal assertiva, já arraigada entre os apreciadores da literatura quase sempre é motivo para brincadeiras e afagos como "parabéns e que bom pois agora você não morre mais".

Obviamente ela não se refere à imortalidade física, pois o acadêmico morre como qualquer pessoa "quando chega a hora determinada", mas sim à felicidade de ter o seu nome gravado na história de uma academia de letras pelos trabalhos produzidos que, muito ou pouco serão lidos e pesquisados em um presente ou em um futuro indefiníveis. Fato este que o levará à imortalidade representada pelo seu nome gravado através dos tempos. É por essa razão que a triste morte física do querido, pranteado colega e amigo Muricy Domingues traz um consolo amenizado mais ainda pelo bem praticado em vida e pelo seu nome que ficará perenemente gravado nos anais da Academia Bauruense de Letras. Pois deixará de ser ocupante da cadeira n.º 20 que tem como patronesse a inesquecível profa. irmã Arminda Sbrissia, participante da história da Fafil/USC e de Bauru, para, certamente, ser patrono de uma cadeira vaga. É para se perguntar, de nossa geração quem não foi aluno, próximo ou admirador de Muricy Domingues?

Fui seu aluno em suas memoráveis aulas no curso de pedagogia da antiga Fafil, depois seu colega na mesma e recentemente seu confrade acadêmico na Academia Bauruense de Letras, continuando como aprendiz absorvendo avidamente suas experiências como viajante e conhecedor de grande parte do mundo. Muricy, a par de sua inigualável capacidade profissional, de seu idealismo como educador, de seu papel como pai, esposo e genro foi marcado pelo otimismo, foi um homem "de bem com a vida". Seus filhos foram os melhores; sua Fafil e posteriormente USC era a melhor universidade; seus alunos e seus colegas eram os melhores, Bauru era a melhor cidade para se viver e seus companheiros da ABLetras, todos eram brilhantes, os melhores. Muricy Domingues soube como ninguém conciliar o espírito científico ao humanismo.

O homem "coruja" que traçou sua vida no mundo do melhor inspirado pelo otimismo, apesar de todos os percalços naturais, deixa de ser imortal partindo para a imortalidade. Ao homem Muricy Domingues, ao meu "carona" do regresso à sua família após as reuniões da ABLetras, na primeira quinta-feira do mês, o meu pranto e eterna admiração. Sua vida valeu, amigo!

Prof. Joaquim Eliseo Mendes ? membro efetivo da ABLetras