10 de julho de 2026
Nacional

Governo vai oferecer remédio a todos os infectados com HIV

Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

O Ministério da Saúde anunciou neste domingo (1), Dia Mundial de Luta contra a Aids, que vai passar a oferecer na rede pública as drogas antirretrovirais a todos os adultos infectados com o HIV, independentemente do estágio da doença e da contagem das células de defesa CD4.

 

Tânia Rêgo/Agência Brasil

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou as ações de combate ao HIV, ontem

A mudança começa a valer a partir de hoje, com a publicação da portaria no “Diário Oficial da União”.


No futuro, pessoas que não têm HIV mas têm risco elevado de contrair o vírus, como homens que fazem sexo com homens e usuários de drogas, também poderão receber os remédios como prevenção. O ministério vai iniciar um estudo para avaliar a estratégia.


O protocolo usado antes pelo SUS não previa o uso dos remédios a partir do contágio do HIV. As drogas só eram oferecidas ao paciente que desenvolvia a Aids e tinha menos de 500 CD4 (células de defesa do organismo) por milímetro cúbico de sangue.


Desde o início de 2013, também passaram a receber o tratamento casais sorodiscordantes (em que um dos parceiros tem o vírus e o outro não), pacientes que têm outras doenças (como tuberculose) e pacientes com CD4 menor de 500 sem sintomas.


Além do Brasil, só EUA, França e Reino Unido recomendam o uso dos remédios para todos os soropositivos.


Segundo o infectologista Artur Timerman, o tratamento é bom para a pessoa infectada e para a comunidade, já que a droga reduz a carga viral. “Não há nenhum outro método que reduza a transmissão do HIV de forma tão eficaz como o tratamento das pessoas infectadas”, diz.  


Um dos receios ligados à terapia precoce tinha a ver com os efeitos colaterais, como alterações metabólicas. Timerman, porém, diz que remédios menos “poderosos”, usados logo após o contágio,  causam menos danos.


O único problema da estratégia, segundo ele, está no uso irregular dessas drogas, o que induz à resistência.


Segundo o ministério, 313 mil pessoas recebem os antirretrovirais pelo SUS e  outras 100 mil devem se beneficiar da ampliação do tratamento em 2014. No total, 718 mil pessoas têm HIV no país.


Teste a R$ 8,00


O teste caseiro para diagnóstico de HIV que começará a ser vendido nas farmácias do Brasil, a partir de fevereiro do ano que vem, vai custar R$ 8 ao consumidor, informou ontem o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita. Segundo Mesquita, o valor de venda no país é o mais barato no mercado internacional.


O exame, desenvolvido pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), é feito com base na análise da saliva coletada pela própria pessoa. Um teste similar é vendido nas farmácias dos Estados Unidos há cerca de dois anos.


De acordo com o diretor, o valor de comercialização do exame será subsidiado pelo ministério. Ele afirmou ainda que o teste é completamente eficaz para identificar a presença do vírus da Aids, mas é direcionado exclusivamente para o diagnóstico do HIV. O exame não serve, portanto, para outras DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) ou hepatites virais.


Prevenção


Em 2014, o governo vai iniciar um estudo de profilaxia pré-exposição para prevenir a transmissão do HIV entre grupos prioritários, que incluem gays, profissionais do sexo e usuários de drogas.  A estratégia consiste no uso diário de antirretrovirais em pessoas não infectadas pelo HIV, mas com risco elevado de contrair o vírus.


O estudo será feito no Rio Grande do Sul com um remédio desenvolvido pela Fiocruz e chamado de “três em um”.