09 de julho de 2026
Bairros

Motorista que atropelou mulher é preso

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

“Como alguém bebe e mata uma pessoa inocente?”. É com essa indagação que Thaís Nardo, 21, cobra justiça pela morte da mãe, Adriana Ângela Nardo, 47 anos. A mulher foi atropelada na rodovia Bauru-Jaú, nas proximidades do Hospital da Unimed, na noite de anteontem. Após confessar ter ingerido bebida alcóolica, o motorista André Luís Rove, 26, foi preso em flagrante.

O acidente foi noticiado com exclusividade pelo JC na edição de ontem. Adriana foi atingida por volta das 21h20, 700 metros à frente do quilômetro 225 da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225).

De acordo com o boletim de ocorrência (BO), André Rove, que é oficial de máquinas, dirigia um Cruze branco, com placas de Igaraçu do Tietê, quando atingiu a vítima no sentido Bauru-Jaú. Ele estava com um passageiro, que nada sofreu.

A força do impacto foi tamanha que o carro capotou e só foi parar na cerca metálica do outro lado da pista, a 170 metros de onde ocorreu o atropelamento. Parte do corpo da mulher foi atirada também no sentido oposto da rodovia a uma distância de 61 metros.

O motorista foi conduzido ao Pronto-Socorro Central, onde, de acordo com o BO, confessou ter bebido. Os policiais rodoviários deram voz de prisão e o flagrante foi ratificado pela Polícia Civil.

“Ele foi ouvido e confessou que veio a Bauru e tomou duas latas de cerveja. Com isso, nós o autuamos por homicídio culposo com dolo eventual, ou seja, quando o autor assume o risco de matar”, aponta o delegado plantonista Roberto de Cabral Medeiros, que esteve no local do acidente.

Foi realizado o teste do etilômetro no condutor do automóvel e o resultado foi de 0,27 miligramas de álcool por litro de ar. A nova Lei Seca estabelece que o limite para não ser constatada a embriaguez no volante é de 0,05 miligramas. Além disso, o próprio médico atestou que André Rove apresentava “hálito alcoólico leve”.

O motorista, por sinal, já tem histórico da associação de álcool e volante. De acordo com o BO, ele confessou que, em 2011, foi abordado por policiais militares em Igaraçu do Tietê, cidade onde residia, e teria sido constatada a embriaguez ao volante. Ele ainda teria revelado que sua habilitação estava prestes a ser cassada.

Velocidade

Um dos pontos que a perícia ainda vai esclarecer é em relação à velocidade em que André Rove trafegava quando atingiu Adriana Nardo. Ele afirma que estava no limite permitido da rodovia.

Contudo, pelo estado em que o corpo da vítima ficou e pelo fato de o carro ter ido parar somente do outro lado da pista, policiais militares declararam que ele possivelmente estava acima da velocidade limite. “Pela forma como o corpo ficou, é uma possibilidade”, declara o delegado.

Diante dos fatos, o plantonista Roberto Cabral prendeu André Luís Rove em flagrante por homicídio simples. “É um crime que não cabe fiança”, frisou o delegado. O motorista foi conduzido ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru.


‘Quero Justiça por minha mãe’

Adriana Ângela Nardo tem três filhos. A caçula, Thaís Nardo, 21 anos, morava com a vítima em uma casa no Jardim Tangarás. Ontem, a jovem não conseguiu voltar para a residência. “Só vou amanhã (hoje). Vou começar a pegar as coisinhas dela”, lamentou.

O sentimento de tristeza vinha junto com o de indignação. A revolta foi de saber que o motorista havia bebido quando atropelou a vítima. “Não foi um acidente. Eu quero justiça por minha mãe. Não quero dinheiro e nem nada. Quero só justiça. Ele precisa ficar preso”, dizia a filha.

Foi Thaís quem reconheceu o que sobrou do corpo da mãe na beira da pista. “Ela tinha ido a Jaú ver meu padrasto. Foi de ônibus e, na volta, parou em um posto ali. Eu ia buscar ela. Senti uma coisa ruim e fui lá”.

Ao chegar ao local com seu namorado e ver a movimentação do resgate, Thaís já sabia do que se tratava. “Eu sabia. Sabia que era ela”. O sapato mostrado por um policial confirmou o que ela já sabia, porém, não queria acreditar. “Ela era uma pessoa maravilhosa”.

Além dos três filhos, Adriana Ângela Nardo tinha quatro netos. Seu sepultamento ocorreu ontem, às 14h, no Cemitério da Saudade.