08 de julho de 2026
Geral

Semáforo próximo à linha férrea provoca polêmica

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis

Com o semáforo vermelho, o trânsito chega a beirar a linha férrea, entre as 7h30 e 8h15

O semáforo só piorou o trânsito e deixou os motoristas expostos a acidentes na linha férrea. A afirmação é da atendente Olga Granja, de 63 anos, sobre o funcionamento do semáforo recém-instalado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) no cruzamento da avenida Comendador José da Silva Martha com a rua Floriano Peixoto.

Posicionado no sentido bairro-Centro, a menos de 400 metros da linha férrea, o dispositivo, que começou a funcionar há duas semanas, possibilitou o cruzamento da avenida.

Por outro lado, gerou ainda mais lentidão, no período entre 7h30 e 8h15, devido ao intenso fluxo de veículos oriundos de bairros como Vila Independência, Jardim Ouro Verde, Jardim Ferraz, Estoril III e até de condomínios interligados à avenida José Vicente Aiello, que usam a Comendador como rota para o Centro e a zona sul.

Susto

Na última segunda-feira, após ter a frente cortada por um carro e ficar presa no trânsito gerado no trecho, por volta das 7h45, Olga Granja conta que quase teve a traseira do carro levada por um trem que passava pelo local.

“Eu nunca vi a morte tão de perto. Estava indo trabalhar e o trânsito parado por causa do novo semáforo. Um carro cortou a minha frente pelo retorno e eu fiquei em cima da linha. Quando vi, o trem já estava apitando quase em cima de mim, foi um sufoco”, lembra a mulher. “Se tivesse pelo menos uma cancela ou se aquele retorno fosse fechado, ajudaria”, completa Olga.

E a atendente não parece ser a única motorista preocupada com a situação no local. Na manhã de ontem, a reportagem do JC esteve nas imediações da linha férrea e observou a cena descrita pela mulher quase se repetindo após a imprudência de alguns veículos que tentavam pressionar o tráfego na via, insistindo em passar pela linha férrea mesmo com o trem apitando.

Vale lembrar que o Código Nacional de Trânsito estipula que a linha férrea é sempre preferencial e transpô-la sem parar é infração gravíssima, sujeita a perda de sete pontos na carteira e multa.

Todo dia

“Agora, é todo dia assim. O trânsito fica parado até depois da rotatória e o pessoal insiste em passar. Não sou contra o semáforo, mas acho que o tempo deveria aumentar”, opina o supervisor de um posto existente na quadra 13 da avenida, Maurício Canalle, de 50 anos.

Morador de uma pequena chácara nas imediações da avenida, o ajudante geral Edvaldo Rodrigues, de 41 anos, também reclama do dispositivo.

“Deveria ter sido instalado lá para cima, não aqui. Em tantos, anos, o trânsito nunca esteve tão ruim nessa avenida. Imagine só quando o período letivo voltar, aí vai ser complicado”, acrescenta Rodrigues.

A Emdurb informa que realizou pesquisa no fluxo do cruzamento da rua Floriano Peixoto com a avenida Comendador José da Silva Martha, na semana passada, e está fazendo o recálculo dos tempos para ajustes necessários.


Solução: viaduto

Para o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), a solução definitiva para os problemas no tráfego da Comendador está na construção do viaduto sobre a linha férrea que cruza a via. Na semana passada, em reunião na superintendência do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), ele foi informado de que o edital para a licitação da obra seria publicado até amanhã.

Questionada, a assessoria do órgão não respondeu sobre a data da abertura da concorrência. A previsão, porém, é de que a obra custe até R$ 14 milhões e seja executada a partir do início do ano que vem. “É um viaduto de proporções muito grandes, que vai desafogar o tráfego que atualmente é muito intenso nos momentos de passagem dos trens”, diz o prefeito.

A previsão é de que outro viaduto sobre a linha férrea também tenha o edital de licitação publicado até o final desta semana.  O segundo será construído na região do Distrito Industrial 1.


Cancela

Questionada sobre a possibilidade da implantação de cancela no trecho da linha férrea em questão, a concessionária América Latina Logística (ALL) esclareceu que, de acordo com previsão do Regulamento dos Transportes Ferroviários, a manutenção e sinalização das passagens de nível nos cruzamentos da via férrea são de responsabilidade do executor da via mais recente – a prefeitura – e que o Código de Trânsito Brasileiro atribui ao município a competência para implantar, manter e operar o sistema de sinalização, dispositivos e os equipamentos de controle viário.

“Vale ressaltar que, independentemente disso, a ALL realiza o reforço da sinalização passiva nas passagens de nível oficiais, como a pintura de solo, instalação de Cruz de Santo André e redutor de velocidade (tipo tartaruga) com reflexivos. No trecho referido, a passagem de nível possui sinalização sonora e luminosa”, diz a ALL, em nota.