07 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Conta-gotas


| Tempo de leitura: 2 min

Oh! Bendito o que semeia

Livros... livros a mão-cheia...

E manda o povo pensar!

(Castro Alves ? 1847/1871)

Conta-nos Manuel Bandeira que um dia, na pequena cidade de Pouso Alto, em casa de Ribeiro Couto, então promotor da comarca, conversando com um velhinho sobre seus companheiros de geração na Faculdade de Direito de São Paulo, falou ele sobre colegas que se tornariam grandes políticos da República. Para pasmo do poeta e promotor, o velhinho arrematou suas reminiscências com estas palavras:

- Tinha também um moço muito inteligente que fazia versos. Como é que se chamava mesmo? Numa caçada deu um tiro no pé, voltou para a Bahia e morreu por lá...

- Castro Alves?

- Castro Alves, isso mesmo!

Até hoje não entendi como uma pessoa pode atirar no pé, utilizando uma espingarda... Sabe-se: a espingarda é uma arma de fogo, portátil, de cano comprido de metal e de coronha de madeira. É levada no ombro, presa por uma alça de couro, ficando a coronha na parte inferior e o cano para cima... Como receber um tiro com esse tipo de arma? Enfim, nossa história é, no mínimo, uma brincadeira... Mas, o que o Poeta dos Escravos nos recomenda é pensar. O professor Zarcillo Rodrigues Barbosa, colega da Academia Bauruense de Letras, exagera. Não basta pensar! Necessário se faz pesquisar para adentrar a profundidade de seus conhecimentos. Não é fácil! Agora, para surpresa minha, no jornal Segunda-Feira, João Jabbour surpreende-me ao falar de Pepe Mujica, presidente do Uruguai. Permito-me transcrever suas palavras insertas na crônica de João Jabbour:

- A vida não começa conosco nem termina conosco. Se deixamos algumas sementes, que germinem.

Fui injusto ao pensar sempre que a honestidade política havia desaparecido com o "suicídio" de Getúlio Vargas, que deixando o governo depois de anos, sem Congresso Nacional, volta à sua fazenda em São Borja utilizando a mesma geladeira a querosene...

O presidente do país que tem a menor população do Mercosul faz-nos pensar. E a custo, a muito custo, conter profundo constrangimento. Mas, não, "vale conhecer Mujica". Melhor, bem melhor, seria imitá-lo.

Álvaro Baptista Pontes