09 de julho de 2026
Internacional

Casa de Mandela vira ponto de homenagens


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A casa onde Nelson Mandela morreu, na última quinta-feira, atraiu ontem centenas de pessoas, transformando as ruas nas redondezas em um improvisado e festivo calçadão. Embora o corpo não esteja mais no local, após ter sido transferido para um hospital militar, a residência no afluente bairro de Houghton, em Johannesburgo, é o ponto de atração de sul-africanos e turistas.

Tanto movimento transformou as calçadas em frente às mansões vizinhas à de Mandela em mostruários para todo tipo de badulaque, expostos sem cerimônia no chão, sobre a grama bem aparada. Quadros holográficos, em que diversas poses de Mandela se alternam, são vendidos a 200 rands (R$ 45,00). Camisetas com a estampa do herói saem por 100 rands (R$ 22,50), e bonés, por 50 rands (R$ 11,25).

No meio da rua interditada pela polícia, um grupo de hare krishna canta em homenagem a Mandela e distribui de graça porções de biryani, prato típico indiano à base de arroz. Alguns metros à frente, um grupo de sul-africanos entoa gritos de guerra que terminam com “siyabona”, obrigado na língua zulu.

“Mandela é como uma religião na África do Sul”, diz Sphamandla Shilubana, 19 anos, estudante originalmente da província de Limpopo, norte do país.

Nascido em 1994, ano oficial do fim do apartheid, ele é parte da chamada geração “born free”, ou nascida livre. Embora otimista com o potencial do país, quer estudar engenharia e ir embora para o Exterior, em busca de emprego. “Sempre pude ir a qualquer lugar e estudar em qualquer escola, graças a Mandela”, afirma, com um buquê que iria depositar em frente ao portão de Mandela, já repleto de flores, faixas e ursinhos de pelúcia.

Branco, Edward Brass veio fazer turismo cívico acompanhado da mulher, duas filhas e da mãe. “Ele fez toda a diferença. Não seríamos um único país hoje se não fosse por Mandela”, afirma.

 

Três dias de cortejo

Os restos mortais de Mandela passarão em cortejo fúnebre nos três dias em que ele será velado em Pretória, informou ontem o Serviço de Informação do governo. No período, o corpo também ficará exposto na sede do governo do país.

Segundo a diretora do órgão de comunicação, Neo Momodu, as autoridades sul-africanas farão três cortejos entre quarta e sexta durante a manhã, no traslado do caixão de Mandela do necrotério militar onde foi embalsamado à sede da Presidência, a Union Buildings, onde ficará em uma capela.