08 de julho de 2026
Internacional

Protesto derruba ?Lenin? em Kiev


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Um grupo de manifestantes a favor da adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) derrubou ontem a estátua do líder comunista russo Vladimir Lênin, em meio ao protesto de opositores contra o governo do presidente Viktor Yanukovich na Capital Kiev.

O gesto de rejeição à histórica influência de Moscou sobre a Ucrânia veio depois de líderes da oposição terem anunciado a centenas de milhares de manifestantes na praça da Independência, em Kiev, para manter a pressão sobre Yanukovich e derrubar o governo. Os manifestantes estão furiosos com a decisão do governo, do mês passado, de abandonar um pacto com a UE em favor de uma cooperação econômica mais próxima de Moscou.

Cerca de 500 mil manifestantes ocuparam a Praça da Independência, uma das principais da cidade, com bandeiras da Ucrânia e da União Europeia e gritos de guerra pedindo a renúncia do mandatário. A expectativa dos opositores era reunir 1 milhão de pessoas.

Manifestantes destruíram a estátua de Lenin, no centro de Kiev. Durante o protesto, cerca de 2 mil pessoas, a maioria aliados do partido nacionalista Svoboda, levantaram barricadas em diversas partes da cidade para impedir a passagem da polícia. A intenção era permitir que milhares de manifestantes montassem acampamento no bairro cívico de Kiev.

Enquanto isso, cerca de 1.000 policiais protegiam o prédio da Presidência e outro grupo das forças de segurança cercam o Parlamento para evitar novas invasões a edifícios públicos. Dentro da área de cerco delimitada pelos agentes, cerca de 3 mil aliados de Yanukovich se manifestavam a favor de seu governo.

No início da mobilização, líderes opositores reforçaram seu discurso pela saída do presidente. Dentre eles, a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, que enviou uma carta lida por sua filha. Além da renúncia, ela pediu que os manifestantes não sentem para negociar com “esse governo que tem sangue nas mãos”.

“Yanukovich perdeu a legitimidade como presidente. Ele já não é mais o presidente do nosso país, mas um tirano”, afirmou a ex-chefe de governo, presa em 2011 por uso indevido do poder por ter assinado os contratos de gás com o governo russo, um dos motivos do governo para recusar a adesão à UE.

Em meio à tensão provocada pelos protestos, um dos maiores desde a revolução pró-ocidental de 2004, a chamada Revolução Laranja, os serviços de segurança ucranianos informaram que abriram uma investigação contra políticos opositores, acusados de golpe de Estado.

Segundo o porta-voz dos Serviços de Segurança Ucranianos, Lada Safonova, os políticos investigados fizeram ações ilegais que os podem levar a serem condenados a até dez anos de prisão. O representante não disse quais serão os políticos investigados.

Ontem, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, também anunciou que está viajando a Kiev para impulsionar uma solução política às tensões entre o governo e a oposição. A viagem foi informada pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, ao mandatário ucraniano.

A Ucrânia está há mais de um ano em recessão e tem um enorme déficit público que pode levar o país à quebra, segundo analistas e investidores, que acreditam que Moscou pode abaixar o preço do gás que vende ao país se o governo ucraniano desistir de se aproximar da Europa.