Deco conhece bem o argentino Lionel Messi e o português Cristiano Ronaldo -já jogou com os dois no Barcelona e na seleção de Portugal, respectivamente-, porém, acha "quase impossível" estabelecer uma comparação entre eles.
Antes de se aposentar dos gramados em agosto deste ano, o ex-meia do Fluminense passou a maior parte de sua carreira em clubes europeus como Porto (1999 a 2004), Barça (2004 a 2008) e Chelsea (2008 a 2010). Naturalizado português, defendeu a equipe nacional entre 2003 e 2010. Durante esse período, deu inúmeras assistências a dois dos melhores jogadores da atualidade.
"Messi e Cristiano, com seus estilos diferentes, estão em um patamar acima do resto, mas é difícil comparar. O Cristiano faz gols que o Messi jamais faria, e o Messi faz outros que o Cristiano também não marcaria nunca", disse Deco por telefone à Folha de S.Paulo.
Para ele, a escolha pelo craque do Barcelona ou pelo do Real Madrid é apenas uma questão de gosto. "Você acaba optando por um deles pelo fato de preferir determinado estilo."
Apesar da fama de arrogante, Deco garante que Cristiano Ronaldo é um jogador "normal, tranquilo e na dele", com uma personalidade extrovertida.
Messi também "é como todo mundo", entretanto, tem um jeito reservado, um pouco mais introvertido, conta o camisa 20.
Em termos de futebol, "são dois jogadores completamente diferentes, mas que conseguem fazer coisas surpreendentes a todo mundo", resume Deco, que prefere não arriscar um palpite quanto ao vencedor do prêmio Bola de Ouro 2013. "Cristiano, Ribéry e Messi têm as mesmas chances."
Discreto
Sem alarde, Deco anunciou sua aposentadoria no dia 26 de agosto, em comunicado enviado à imprensa e publicado em redes sociais. Saiu à francesa.
Deco previa pendurar as chuteiras no fim da temporada, quando seu contrato com o tricolor carioca terminaria. Contudo, a última lesão muscular o fez antecipar seus planos.
"Foi a decisão de uma vida. Por mais que me doesse, por mais que fosse difícil, não tinha sentido continuar como jogador sem poder fazer o que eu mais gosto, que era, justamente, jogar", disse Deco, antes da queda do Flu para a Série B.
Embora estivesse consciente de sua escolha e preparado para encerrar a carreira, Deco lembra que durante três dias "ficou mal" ao acordar e se dar conta de que não era mais jogador. De que essa história de treino, concentração e jogo havia acabado após "vinte e poucos anos".
Com o passar do tempo, adaptou-se à vida sem o dia a dia do futebol. Hoje, entre suas diversas atividades, ele representa Jorge Mendes (empresário de Cristiano Ronaldo e de outros atletas) no Brasil.
Deco já incorporou sua nova rotina, mas, às vezes, o coração fica apertado, principalmente em dia de jogos importantes. Só que agora, como espectador.
"Saudade dá sempre, ainda mais nas partidas decisivas. É difícil."