Quando temos uma questão pessoal a resolver, uma alternativa prudente é se consultar com alguém que esteja fora do conflito, para analisar friamente a situação e sugerir soluções possíveis. Isso se aplica quando a questão é por que o Brasil não vai para frente. As moedas fortes são estrangeiras, a saúde precisa vir de fora, o cinema é dublado ou legendado, o trabalho remunera melhor no exterior, a tecnologia tem um delay para chegar até aqui, por um preço alto e muitos impostos.
Quem já teve a oportunidade de conversar com um brasileiro que tenha passado uma temporada fora do Brasil sabe qual é o problema. O problema, senhores, é o brasileiro. A cultura de passar o outro para trás, levar vantagem em tudo, trapacear, aplicar pequenos golpes como se não fosse errado. Esse é o câncer do nosso país.
Pergunte a um estrangeiro sobre o clima e a natureza daqui. É provável que ele diga que são os melhores do mundo. Principalmente se, na terra natal, ele precisa quebrar o gelo - literalmente - em volta do carro antes de sair para o trabalho, nas manhãs de inverno. Temos boas faculdades, temos bons hospitais, boas estradas e muitos recursos naturais. Incentivos à cultura e ao esporte? Carga tributária e trabalhista? Não, eles também não são problema.
O problema, unicamente, é o brasileiro. O brasileiro que desvia verbas públicas e o brasileiro que joga lixo no chão. Aí a gente chega no como resolver. Certamente a resposta é longa, e não acontece de uma geração para a outra, leva mais tempo. Mas é preciso começar. Temos que aprender a identificar nas nossas atitudes o jeitinho brasileiro. E corrigi-las. Vamos atender na hora marcada, atravessar o cruzamento no sinal verde, pagar as contas até o vencimento, oferecer o assento para um idoso. De lambuja, podemos ser mais gentis. E não fique esperando gratidão, quem realmente se importa não vai deixar de fazer gentilezas só porque um gringo se esqueceu de agradecer.
Cláudia Fukumoto Uehara - anfitriã da Copa 2014