08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Psique e seus altos e baixos


| Tempo de leitura: 2 min

Como podemos ver na história de Marta e Maria, no evangelho de Lucas, estresse não é um fenômeno moderno. É inerente à psique humana sentir que, às vezes, não podemos suportar. A vida se torna muito pesada para nós, nos sentimos isolados e desesperados.

É claro que o estresse é relativo. O estresse de uma pessoa é a diversão de outra. Talvez por causa da adrenalina ou pela necessidade natural de superar nossos limites, um atleta ou uma executiva acham divertido se colocarem em situações estressantes. Outros buscam uma vida sem desafios e se contentam com o conforto de suas já conhecidas qualidades. E podem cair na mesmice e entrar numa estressante rotina...

O estresse bom é diferente da aflição. A criatividade raramente flui sem algum grau de estresse. No entanto, muito dele sufoca o espírito. É não só uma questão de temperamento. A força interior da psique tem altos e baixos. E o que nós conseguimos controlar num dia parece que nos domina por completo em outro. O elemento necessário, muitas vezes ausente quando a vida se torna muito rápida e furiosa, é o bom julgamento e a autoconsciência.

"Que eu conheça a mim mesmo para que eu possa te conhecer" era a oração de são Agostinho ? um santo e administrador estressado, pelo que indica sua incansável composição literária... Todos nós precisamos saber quando nosso estresse está alcançando a zona vermelha, precisamos saber quando pedir ajuda e quando parar. De onde vem esse autocontrole e autoconhecimento; a pressão arterial e outros indicadores mensuráveis podem ajudar... Técnicas e programas podem ser úteis. Mas autoconhecimento surge de um nível de consciência intuitivo. Todos têm isto, mas nem todos conseguiram abertura para isso. O paradoxo é que a sabedoria natural e espontânea que nos permite ajustar nossa performance para as forças interiores e exteriores e que estão em constante mudança, é o fruto da disciplina.

Muito do estilo de vida moderno causa estresse. E tão pouco da nossa cultura ou dos nossos hábitos são disciplinados.

Enquanto pensarmos na meditação apenas como uma técnica de redução do estresse, teremos resultados limitados. Mudanças maiores e mais profundas virão quando entendermos a meditação como uma disciplina, integrada ao nosso modus vivendi cotidiano...

João Álvares ? jornalista da Associação Paulista de Imprensa - Piratininga