10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Mercado prevê alta menor do juro em 2014; dólar cai

Folhapress
| Tempo de leitura: 5 min

As declarações feitas nesta terça-feira (10) pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reforçaram as perspectivas de economistas de que a autoridade monetária adotará um ritmo menor de alta da taxa básica de juros (Selic) em 2014.

Reprodução/Internet

No mercado cambial, o dólar fechou em baixa pelo quarto dia consecutivo

Em audiência pública no Senado, o presidente do BC reconheceu que há uma defasagem do impacto da alta dos juros na inflação. "Importante nesse processo lembrar que a transmissão das ações de política monetária para inflação ocorre com defasagens e envolve um certo grau de incerteza sobre a intensidade com que a inflação irá reagir às ações de política", afirmou.

Economistas ouvidos pela reportagem, que também levam em consideração indícios observados na última ata do Copom (Comitê de Política Monetária), acreditam que deve haver até duas altas de 0,25 ponto percentual em 2014 --na reunião de janeiro e de fevereiro. Com isso, a Selic encerraria o ano entre 10,25% e 10,50%.

Eduardo Velho, economista, mantém a aposta em dois aumentos de 0,25 ponto percentual no próximo ano -nas reuniões de janeiro e fevereiro. "O prolongamento do aperto monetário (ciclo de alta dos juros) vai depender da desaceleração do governo brasileiro e da perspectiva fiscal para 2014 e 2015, da retirada dos estímulos econômicos pelo Federal Reserve [Fed, banco central americano] e de novos sinais de crescimento na Europa", diz.

Já Alessandra Ribeiro, economista da consultoria econômica Tendências, vê apenas uma elevação de 0,25 ponto percentual no próximo encontro do Copom. No entanto, afirma, a ata abriu espaço para que o BC adote novo aumento de 0,50 ponto percentual na reunião de janeiro caso o dólar continue se valorizando em relação ao real. "Se o câmbio bater R$ 2,50 ou R$ 2,60, é possível que o BC adote esse aumento para conter as pressões inflacionárias", diz.

É a mesma percepção do economista Antonio Madeira, da consultoria LCA, que também vê um aumento de 0,25 ponto percentual na reunião de janeiro, levando a Selic a encerrar o ano em 10,25%.

Dólar

No mercado cambial, o dólar não reagiu às declarações de Tombini e fechou em baixa pelo quarto dia seguido. O dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou em queda de 0,42%, a R$ 2,309. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, caiu 0,43%, também a R$ 2,309.

Para Guilherme Prado, especialista em câmbio da Fitta DTVM, não houve novidade no discurso do presidente do BC. "Se ele dissesse algo novo, mexeria com o mercado, mas ele nem sequer detalhou como serão os ajustes que pensa em fazer no programa de intervenções diárias. Então não houve reflexo no dólar", afirma.

Nesta terça-feira o BC vendeu, como parte de seu leilão diário, 1.750 contratos com vencimentos em 5 de março e 8.250 contratos com vencimento 2 de junho de 2014 em leilão de swap cambial tradicional -equivalentes à venda futura de dólares-, com volume financeiro de US$ 496,6 milhões.

À tarde, colocou a oferta total de 20 mil contratos na segunda etapa de rolagem dos swaps que vencem em janeiro. Com isso, a autoridade monetária já rolou cerca de 20% do lote total, equivalente a US$ 9,93 bilhões.


Bolsa

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em queda de 0,33%, aos 50.993 pontos, após três altas seguidas.

A Bolsa experimentou problemas operacionais que reduziram o volume financeiro transacionado, que encerrou o dia em R$ 4,23 bilhões, afirma Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest Título Corretora. A média diária no ano até 9 de dezembro foi de R$ 7,48 bilhões, de acordo com dados da BM&FBovespa.

O índice foi influenciado por declarações feitas por membros do Fed ontem e que indicaram que o banco central americano pode estar mais perto de iniciar a redução de seu programa de compra de ativos.

Desde 2009 o Fed recompra US$ 85 bilhões por mês em títulos públicos para injetar recursos na economia e estimular uma retomada. Como parte desses recursos migra para outros países -como o Brasil- na forma de investimentos, um corte reduziria a entrada de capital externo nesses mercados.

Para André Moraes, analista da corretora Rico.com.vc, os últimos dados divulgados apontam para uma melhora da economia americana. "Com isso, há uma corrente que acredita que os estímulos econômicos começarão a ser retirados antes do previsto. Eu acho improvável que comece já na próxima reunião, acho que deve ter início só no segundo semestre de 2014", afirma.

Ele acredita que o impacto da retirada dos estímulos será no curtíssimo prazo, com altas do dólar e quedas na Bolsa por alguns dias, mas que, depois, a situação vai se normalizar. "A gente vai voltar a se preocupar com o que realmente importa no mercado de ações: a empresa e qual a perspectiva para a economia do Brasil. E não com fatores externos que trazem volatilidade excessiva, como essa indefinição envolvendo o Fed", diz.

Os investidores também estiveram atentos a dados da economia chinesa. A produção industrial do país cresceu 10% em novembro, a menor de quatro meses e ligeiramente abaixo do esperado pelo mercado. Já as vendas no varejo, que mede o consumo interno, subiram 13,7% em novembro em relação ao ano anterior. Foi o crescimento mais rápido desde dezembro e superou as expectativas do mercado.

Esse conjunto de dados reforçou junto aos investidores a tese de que a economia chinesa está a caminho de alcançar a meta de expansão do governo este ano.

O destaque positivo na Bolsa foi a Gafisa, cujas ações subiram 3,82% e lideraram as altas na sessão. A empresa anunciou no dia anterior que chegou à etapa final do processo de reestruturação iniciado há dois anos, com a conclusão da venda de 70% da Alphaville para os fundos Pátria e Blackstone.

As ações da PDG subiram 3,07%, enquanto as da EDP - Energias do Brasil avançaram 2,87%.Na outra ponta os papéis da Cia Paranaense de Energia encabeçaram as baixas, após caírem 3,46%. As ações da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista tiveram queda de 3,11% e as da Marfrig, de 2,93%.