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João Rosan |
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Operação teve a participação de 31 pessoas, entre PMs e funcionários de secretarias |
A dificuldade em recuperar motocicletas furtadas levou a Polícia Militar (PM) a desencadear, ontem, uma operação para fiscalizar oficinas mecânicas e lojas que comercializam autopeças em Bauru. A suspeita é de que as motos estejam sendo integralmente desmontadas e seus componentes, vendidos clandestinamente em estabelecimentos desta natureza.
Na operação realizada ontem, um veículo foi apreendido e oito estabelecimentos foram autuados por não possuírem alvará de funcionamento. As fiscalizações terão sequência em outras lojas, com datas ainda a serem definidas.
Na manhã de ontem, 31 pessoas participaram da ação, entre policiais militares e funcionários da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan).
Segundo o capitão Alan Terra, coordenador operacional do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), a iniciativa teve como objetivo verificar irregularidades nestes estabelecimentos, para onde – suspeita-se – possam estar sendo destinadas as motos furtadas que nunca são localizadas.
Mas, de início, os resultados não foram alarmantes. Ao todo, foram visitadas 11 lojas e vistoriados 81 motocicletas, 10 motores e 23 quadros de motos. Ao fim da operação, apenas uma motocicleta que estava com a placa trocada foi apreendida.
“A placa estava devidamente lacrada, com chassi e motor corretos, mas a placa era de outra moto. O veículo passará por perícia para detectar onde está o erro”, observa Terra. Até o fechamento desta edição, o proprietário da moto, cuja identidade não foi divulgada, não havia sido ouvido pela Polícia Civil.
Sem alvará
Além desta ocorrência, oito dos 11 estabelecimentos visitados foram autuados por fiscais da Seplan por não apresentarem alvará de funcionamento. Após pagamento de multa, eles terão prazo de dez dias para regularização.
“Dentre estes oito, um proprietário apresentou protocolo com solicitação para autorização de licença, que havia sido indeferida por conta de informações incorretas que foram prestadas. A ele, também foi concedido prazo para regularização da documentação e, se não cumprir as exigências, poderá ser autuado durante nova vistoria”, adianta o diretor da divisão de fiscalização da Seplan, Ricardo Fernando Barreto.
Equipes da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo também participaram da operação para cobrar dos proprietários das oficinas e lojas de autopeças a comprovação de origem das mercadorias comercializadas, mas nenhuma irregularidade foi detectada. Além disso, 23 pessoas foram submetidas à busca pessoal, mas nada de ilícito foi localizado.
Os estabelecimentos fiscalizados estão localizados nos bairros Parque Jaraguá, Vila São Paulo, Parque Vista Alegre, Parque São Geraldo, Núcleo Habitacional Mary Dota, Jardim Chapadão e Centro.
Roubos e furtos têm 2.ª maior marca em 10 anos
O ano de 2013 nem acabou e já é responsável pelo segundo maior índice de furtos e roubos de veículos nos últimos dez anos em Bauru. De janeiro a outubro, foram 699 automóveis e motos, sendo que 663 foram furtados e apenas 36 roubados, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo.
As estatísticas só não são piores do que as do ano passado, quando 815 veículos foram levados de seus proprietários. Entre 2003 e 2011, a quantidade máxima registrada de furtos e roubos de veículos foi de 686, em 2010, e a mínima de 404, em 2008.
O 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I) não dispõe de dados específicos sobre furtos e roubos de motos, mas o coordenador operacional, capitão Alan Terra, destaca que este tipo de ocorrência se tornou uma preocupação constante para a corporação, já que os registros têm acompanhado o crescimento da frota de Bauru. Atualmente, a cidade conta com mais de 240 mil veículos emplacados, sendo que 44,5 mil são motos.
“Estamos estudando mais pontualmente os crimes e desencadeando uma série de ações para reduzir os índices, tais como fiscalizações em estabelecimentos, blitzes de trânsito e ações de orientação aos proprietários de veículos”, enumera.
De acordo com o capitão, as motos mais visadas pelos criminosos são as de 100 e 150 cilindradas, cujas peças são rapidamente absorvidas pelo mercado paralelo.