10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Consumidores pretendem comprar à vista no Natal

Marcus Liborio especial para o JC
| Tempo de leitura: 5 min

João Rosan

O economista Reinaldo Cafeo avalia como positiva a postura da maioria querer pagar compras à vista

Uma pesquisa realizada pela Hibou – empresa especializada em pesquisa de mercado e monitoramento – entre 2 e 5 de dezembro revela que a maioria dos consumidores pretende pagar à vista os presentes neste Natal.

A previsão, contudo, surpreendeu economistas e comerciantes de Bauru, já que o hábito do brasileiro, em geral, é parcelar os gastos no cartão de crédito ou cheques pré-datados.

“O brasileiro, normalmente, tem o hábito de querer jogar para frente os problemas. Normalmente, a renda não é tão acentuada e ele acaba optando pelo parcelamento”, aponta o economista Reinaldo Cafeo.

De acordo com a pesquisa, feita em campo e online com 540 pessoas da classe média paulistana, 65% dos entrevistados irão gastar no débito e apenas 23% vão parcelar suas compras no cartão de crédito.

O estudo revela, ainda, que o número de presentes diminuiu. Cerca de 35% dos entrevistados presenteará até três pessoas.

Os dados apontam que o consumidor, em geral, está mais seletivo na hora da compra, optando por presentear pessoas mais próximas, como familiares e amigos de longa data. A quantidade dos “mimos” é menor, mas, em compensação, o valor do presente acaba sendo maior.

Em Bauru, a reportagem percorreu o Calçadão da Batista e conversou com consumidores sobre os planos de compra para o final do ano. O resultado surpreendeu. Dos seis entrevistados, apenas um deles irá parcelar os gastos com os presentes (leia mais abaixo).

Cafeo analisa de forma positiva a possível mudança de hábito nas compras em Bauru. Para ele, os consumidores passaram a enxergar as vantagens de fugir dos juros abusivos. “O fato de ter esse patamar de gente disposta a fazer pagamento à vista quer dizer que estão preocupados com os juros vigentes e estão buscando alternativas de terem vantagens na hora de fazer as compras”, observa. 

Se a previsão da pesquisa se consolidar, o comércio da Cidade Sem Limites só tem a ganhar. No entanto, em relação às compras de menos presentes, mas com valores mais altos, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Alceu Camargo, expõe um parâmetro para os grandes e pequenos empreendedores.

“Acreditamos que é bom para o comércio o fato do presente de Natal ser de maior valor. Por outro lado, as empresas de pequeno porte acabam sofrendo com a queda de vendas em produtos mais em conta”.

Em contrapartida, Alceu salienta que, em dezembro, o consumo é maior e, no geral, todos acabam vendendo mais, o que torna satisfatórias as vendas, independentemente da estrutura da loja.

Antenados

A intenção de todo brasileiro é poder comprar sem se endividar. Para isso, é preciso pesquisar preços, índices de juros e, acima de tudo, estar “antenado” à economia atual. Cafeo acredita que a linguagem dos economistas, ultimamente, está mais clara, o que proporciona um melhor entendimento por parte do consumidor.

“Os economistas estão adquirindo uma linguagem mais próxima da população. Nós temos, hoje, inúmeros programas de orientação e sites de pesquisa. Eu acho que, à medida que você vai martelando e dizendo: ‘precisa ter cuidado porque os juros do Brasil são muito caros e abusivos’, chega uma hora que parte das famílias começa a se conscientizar”.

Além da informação mais ampla e de fácil entendimento aos consumidores, houve uma redução da pobreza de uma forma geral no Brasil.

“Algumas famílias acabaram tendo uma renda um pouco superior, o que permite ter um planejamento financeiro um pouco mais acentuado. Nos últimos cinco anos, tivemos mais de 34 milhões de brasileiros que subiram da classe E e D para a classe média”, aponta Cafeo.  

Dúvidas

A pesquisa da Hibou parece não combinar com os hábitos de compras dos bauruenses, segundo o economista Reinaldo Cafeo e o presidente da CDL, Alceu Camargo. Os dois são unânimes ao suspeitar dos dados apresentados no estudo.

“Eu tenho um pouco de dúvida. Alguns, menos avisados, acabam furando essas estatísticas e se antecipando nas compras, gastando um pouquinho além do que devia. O histórico é o brasileiro um pouco endividado nos períodos de início de janeiro”, explica o economista. 

Já Alceu alega não ter notado mudanças nos hábitos de compras dos consumidores de Bauru e região. “Diferentemente da Capital, percebemos que o perfil de compras no comércio do Interior do Estado, pela classe média, tem uma tendência maior nas compras em crédito e parcelamento”, observa.

De acordo com números colhidos pelo comércio local, o índice de inadimplentes tem aumentado na cidade. De novembro de 2012 até o mesmo período deste ano, houve um aumento de 7,78% de clientes inclusos no Serviço de Proteção ao Crédito.


Fala-povo

‘Você pretende comprar os presentes de Natal à vista ou a prazo?’

“Para a maioria que perguntei, irão pagar as contas de fim de ano à vista. Eu, particularmente, prefiro comprar a prazo, mas com poucas parcelas. No máximo 3 ou 5” - Fábio de Oliveira Gonçalves, comerciante, 43 anos

“Pago à vista. Antes comprava por impulso, mas agora que sou mãe, preciso evitar dívidas em longo prazo. Além disso, pesquiso muito antes de comprar. Passo o dia todo andando de loja em loja” - Thaís Barbosa, recepcionista, 22 anos

“Há um bom tempo que compro sem parcelar. Eu acho melhor porque, no começo do ano, tem muitos compromissos financeiros como IPTU, IPVA, entre outros” - Val de Castro, locutor,

51 anos

“Compro à vista há muito tempo. Acho mais seguro e evito dívidas no começo do ano” - Vanderlei Ponce de Lima, funcionário público estadual, 48 anos

“Pretendo pagar à vista, pois fica mais barato e evito começar o ano com dívidas” - Sandra Berbel, pedagoga, 55 anos

“É melhor comprar à vista porque consigo desconto. Aproveito o 13º para evitar o parcelamento” - Márcia Ramos de Carvalho, faxineira, 43 anos