08 de julho de 2026
Internacional

Lista negra dos EUA irrita Irã

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O avanço no acordo para pôr fim ao impasse sobre o programa nuclear do Irã parece enfrentar sua primeira grande dificuldade ontem, quando a Rússia alertou que a ampliação da lista dos Estados Unidos de pessoas e empresas sob sanção poderia “complicar seriamente sua implementação”.

A Rússia, que ao lado dos EUA, é uma das seis potências mundiais que negociaram com o Irã o acordo interino de 24 de novembro, endossou as críticas do Irã, ao dizer que a decisão do governo norte-americano viola o espírito do acordo e pode “bloquear as coisas”.

Os Estados Unidos ampliaram na quinta-feira a lista negra de pessoas e empresas na mira das sanções já existentes para impedir que o Irã obtenha a capacidade de fabricar armas nucleares. O Irã nega ter o objetivo de produzir esse tipo de armamento.

Diplomatas disseram que o Irã, no que pareceu ser uma resposta, interrompeu conversações técnicas com as seis nações em Viena sobre a forma de implementar o acordo, pelo qual o governo iraniano deverá restringir suas atividades atômicas em troca de um alívio limitado nas sanções.

Os desdobramentos evidenciaram os potenciais obstáculos que os negociadores enfrentam para levar adiante os esforços com a finalidade de resolver uma década de disputas entre a República Islâmica e países ocidentais, as quais provocaram o temor de uma nova guerra no Oriente Médio.

Diplomatas ocidentais disseram que o encerramento inconclusivo das conversações de especialistas de ambas as partes, de 9 a 12 de novembro, não deveria ser visto como um sinal de que o acordo firmado há cerca de três semanas está com problemas.

Mas a Rússia deixou clara a sua preocupação. “A decisão do governo dos EUA vai contra o espírito deste documento”, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, referindo-se ao acordo de Genebra entre o Irã e os Estados Unidos, Rússia, China, França Grã-Bretanha e Alemanha.

“A ampliação das ‘listas negras’ norte-americanas poderia complicar seriamente o cumprimento do acordo de Genebra, que propôs o relaxamento da pressão das sanções.”