Durante a manhã de ontem, familiares, amigos e alunos se reuniram no Salão 1 do Centro Velatório Terra Branca para prestar as últimas homenagens ao professor Antonio Carlos de Jesus. Ele morreu em consequência de um acidente entre carro e caminhonete registrado na rodovia Bauru- Marília, em Bauru, na tarde de anteontem.
Consternados, os amigos não conseguiram segurar a emoção ao falar da importância do “professor- amigo- pai”, assim definido por todos eles. A professora Dalva Aleixo, que foi aluna de Antonio Carlos em 1979, falou de sua importância para a fundação da Faculdade de Arquitetura Artes e Comunicação (FAAC) da Unesp de Bauru, onde ele trabalhou por mais de 30 anos.
“Eu digo que o Antonio Carlos era uma pessoa que sonhava e concretizava seus sonhos, ao contrário de muitos. Eu o conheci como aluna e lutamos juntos para a fundação da FAAC. Naquela época, o curso de comunicação era polivalente e graças a ele separamos os cursos de relações públicas, jornalismo e outros. Ele criou a pós- graduação, a Rádio Unesp, a TV Unesp e trouxe a TV digital. Um grande profissional, pai e amigo, que não fazia diferença entre seus alunos e família”.
A professora Rosana Vidrich, que também foi aluna de Antonio Carlos, se emocionou ao falar da lealdade e do carinho que ele tinha pelos alunos. “Eu nunca vou esquecer aquele abraço, aquele sorriso dele. Era um amigo muito leal”, completou.
Legado
Dentre os seus destaques em mais de 30 anos de trabalho na Unesp/Bauru, o professor e amigo Norival Agnelli lembra do projeto de Antonio Carlos na cidade de Maputo, em Moçambique, durante dois anos.
“Através da ONU ele implantou rádios e TVs comunitárias em contêineres para fazer um trabalho de combate à aids. Tinha paixão por rádio. Ele deixou um legado imenso com sua ousadia, coragem, sempre trazendo recursos para a universidade. Se dedicou muito à Unesp e sua família”.
A esposa há 40 anos, Jane Brito de Jesus, 62 anos, sustenta as palavras de Agnelli. “Ele era um grande homem da comunicação e eu participei de tudo ao seu lado. Mesmo na correria das aulas e dos filhos, nós estudamos, fizemos mestrado, doutorado. Viajamos juntos para Moçambique. Ele era idealista, um homem de visão. Um marido, pai e avô maravilhoso. A família sempre estava unida”, ressaltou.
Livre Docente em Planejamento em Comunicação pela Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da (Faac) da Unesp, Antonio Carlos era também doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Concluiu a graduação em Letras e Linguística pela Universidade Sagrado Coração (USC).
O professor foi sepultado ontem, às 11h, no Cemitério Parque Jardim dos Lírios. Ele deixa a esposa Jane, os filhos Rita, 38 anos, e Daniel, 36 anos, e a neta Maria Lígia, 18 anos.
O acidente
Segundo o boletim de ocorrência (BO), o veículo conduzido por Diego Ferreira de Almeida, 24 anos, uma caminhonete GM Silverado de placas GXI 8249, transitava na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru- Marília) quando chocou- se na traseira do Astra do professor Antonio Carlos de Jesus, que estava parado no acostamento.
A mulher dele, Jane Brito de Jesus, explicou que o professor teria parado no acostamento para atender o celular, quando foi atingido. “Ele teve morte instantânea, quebrou o pescoço”.
Com o impacto, o carro onde estava Antonio Carlos e José Américo Nicolin, 50 anos, capotou. O professor morreu no local, antes mesmo de ser socorrido. José Américo foi encaminhado ao Pronto- Socorro Central (PSC) pela viatura do Samu. Já Diego, condutor da caminhonete (que estava sozinho no automóvel), foi levado também ao PSC de Bauru por uma unidade de Resgate.
Cinco mortes
A morte de Antonio Carlos de Jesus é a quinta deste ano envolvendo professores ligados à Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC) da Unesp de Bauru.
A primeira delas aconteceu em 24 de janeiro, quando o professor João Batista Neto Chamadoira, 71 anos, morreu em um acidente de carro no trevo de Arealva. Em 13 de março o professor especialista em folclore Sidney Carlos Aznar, 72 anos, morreu por complicações de hepatite C.
Dias depois, o professor Adenil Alfeu Domingos, 65 anos, não resistiu a um câncer no pâncreas descoberto tardiamente. No mês de abril, a professora Terezinha de Jesus Boteon morreu vítima de um infarto.
Todos os professores tinham ou já tiveram ligação com a FAAC e estavam aposentados ou em fase de aposentadoria.