11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Economia: Bovespa fecha em alta com ajuda do exterior

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou esta segunda-feira (16) em alta de 0,46%, a 50.279 pontos, influenciado pelo ganho das ações da Petrobras e o bom humor dos mercados internacionais.

"A alta da Bolsa foi pontual e acompanhou o avanço dos mercados nos EUA. Temos poucos dias de negócios até o fim o ano, o que colaborou para este movimento. O clima, no entanto, continua de pressão negativa, com investidores à espera de uma definição sobre o estímulo nos Estados Unidos", disse Filipe Machado, analista da Geral Investimentos.

As ações da Via Varejo, varejista dona da Casas Bahia e Ponto Frio, tiveram hoje a sua estreia na Bolsa. Os papéis, que não fazem parte do Ibovespa, tiveram avanço de 8,26%, a R$ 24,90.

Dentro do índice, as ações mais negociadas da Petrobras, que representam mais de 8% do Ibovespa, fecharam com ganho de 1,82%.

O dia foi marcado pelo vencimento de opções sobre ações - contratos que apostam no preço futuro de papéis -, o que impulsionou o volume financeiro do mercado. Essas operações giraram R$ 3,9 bilhões nesta segunda-feira, segundo a Bolsa.

Com isso, conforme previam analistas, o volume financeiro movimentado na Bolsa brasileira voltou a ser forte. A cifra ficou em R$ 9,88 bilhões hoje -na semana passada, a média foi de R$ 5,07 bilhões por dia, bem inferior aos R$ 7 bilhões diários de novembro.

"Não fosse o vencimento de opções, o volume do mercado teria sido na média. Os investidores têm fugido da Bolsa neste final de 2013, à espera de definições sobre o futuro do estímulo econômico nos Estados Unidos", diz Bruno Gonçalves, analista da Wintrade Corretora.

Nesta semana, a principal referência fica por conta da reunião do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, que irá decidir o futuro do estímulo econômico naquele país. O encontro acontece entre essa terça e quarta-feira.

A expectativa gira em torno de quando o Fed vai começar a cortar seu programa de recompra mensal de títulos públicos no valor de US$ 85 bilhões, adotado desde 2009 para estimular a retomada da atividade.

Como parte desse valor migra mensalmente para outras economias, como o Brasil, um corte significaria que menos recursos entrariam no mercado brasileiro, prejudicando nossa Bolsa e pressionando a cotação do dólar para cima.

"Se o Fed nesta semana der qualquer sinalização de que começará a cortar seu estímulo em janeiro, a Bolsa deve andar de lado até o final do ano. Se ele começar a cortar já nesta semana, a Bolsa deve cair acompanhando os demais mercados globais. Para nós, quanto antes começar a ser cortado, melhor, pois teremos mais tempo de recuperação ao longo de 2014", diz Hamilton Alves, estrategista do BB Investimentos.

A alta da Bolsa hoje ignorou a notícia de que, pela segunda semana seguida, a projeção do mercado para o crescimento da economia brasileira foi rebaixada, segundo pesquisa do Banco Central.

Segundo analistas, o mercado já havia antecipado na Bolsa a maior fragilidade da economia brasileira, por isso o relatório do BC não teve influência sobre o desempenho das ações hoje.

Os papéis da Energias do Brasil caíram 5,81%, liderando as perdas do Ibovespa, depois que a companhia ganhou a planta de São Manoel (entre Mato Grosso e Pará), em parceria com a Furnas, no último leilão de energia do ano, realizado na sexta-feira em São Paulo.

Câmbio

No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou em queda de 0,33% em relação ao real, cotado em R$ 2,328 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, cedeu 0,25%, a R$ 2,329.

Segundo operadores, as intervenções do Banco Central no câmbio ajudaram a sustentar a desvalorização do dólar em relação ao real, embora a pressão de um possível corte no estímulo americano continue pressionando a cotação no médio prazo.

O BC deu continuidade ao seu programa de intervenções diárias no câmbio para aumentar a liquidez do mercado e segurar a alta da moeda americana.

A autoridade também realizou o sexto leilão de swaps cambiais tradicionais, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro, para rolar os vencimentos de 2 de janeiro do ano que vem.