09 de julho de 2026
Nacional

Estudante da USP achada morta não bebeu, dizem amigos

Por Aretha Yarak | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Amigos da estudante da Universidade de São Paulo (USP) que morreu após despencar em um fosso de elevador de um prédio abandonado no câmpus, em São Paulo, contaram à Polícia Civil que a jovem não tinha bebido e que caiu após tropeçar.

O caso ocorreu na madrugada de anteontem. Em depoimento ontem, três colegas de Bruna Barbosa Lino, 19 anos, disseram que o grupo foi ao prédio do Instituto Butantan para bebericar e conversar.

A estudante de letras foi enterrada na manhã de ontem, no cemitério Vila Pauliceia, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo).

Amigos e familiares de Bruna foram ao enterro usando batom vermelho. “Era a marca dela, foi uma homenagem à felicidade e ao sorriso da minha irmã”, diz Bárbara Barbosa Lino, irmã de Bruna.

De acordo com Bárbara, um segurança do campus foi avisado de que Bruna e os amigos entrariam no prédio. “Antes de entrar, eles perguntaram para um segurança do campus se haveria problema. E ele respondeu que não”, diz Bárbara.

De acordo com Paulo Arbues Andrade, delegado responsável pelo caso, nenhuma das testemunhas ouvidas hoje contou ter conversado com um segurança antes de entrar no local.

Segundo Arielli Tavares, diretora do Diretório Central dos Estudantes (DCE), é de conhecimento de todos que os estudantes frequentam rotineiramente o espaço. “Dali se tem uma visão privilegiada do nascer do sol. Só esperamos que a reitoria não se exima da sua responsabilidade nesse acidente”, diz.

Em nota, a USP lamentou a morte da estudante e afirmou que o prédio não pertence à universidade. Segundo a instituição, o único registro de que os alunos acionaram a Guarda Universitária ocorreu às 4h40, após a aluna cair no fosso.

Batalhadora

Bruna era conhecida por familiares e amigos como uma pessoa alegre, madura, batalhadora e humilde.

Apaixonada por literatura, ela estudou sozinha em casa por um ano e meio até conseguir passar no vestibular. Segundo a irmã, ela sempre estudou em escola pública. “Somos uma família humilde de seis irmãos. Minha irmã nunca foi uma filhinha de papai, ela sempre batalhou para seguir os sonhos dela”, conta Bárbara.

A estudante morava com amigos em um apartamento próximo à universidade e trabalhava na Central de Atendimentos da Editora Globo. “O sonho dela era se ver formada em letras pela USP. Estudar lá era a pequena conquista pessoal da minha irmã”, diz a irmã.

Na tarde de ontem, o prédio do Instituto Butantan continuava sem interdição e com um buraco na grade, que permite a passagem.

Em nota, a entidade afirmou que o local está totalmente desativado e cercado por muros e grades e que está sendo elaborado “um plano de ocupação do espaço”.

O instituto não disse para que o local seria usado ou quando ele seria aberto.