10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Conselho de Pastores: importa-vos nascer de novo!


| Tempo de leitura: 4 min

Impressionante o embate local entre os laicistas e o Sinédrio, em um banho de radicalismos, que muito dificulta a adoção de políticas saudáveis de saúde. De um lado Marcos Rezende e laicistas crendo, preconceituosamente (vênias todas), que a Fé não pode trazer benefícios à sociedade (como se a própria ciência não fosse ela repleta de religiosismos, com profetas-fundadores inquestionáveis como Marx, Freud, Foucault, banhada em muitos dogmas ? às vezes mais rígidos que as religiões) e de outro um órgão/conselho que ainda não compreendeu a questão e tampouco o Evangelho que pensam representar. A ambos basta apenas se dar conta que a demanda da prevenção é fato real, que deve sim ser feita e que a postura do Estado e da sociedade civil (e nela compreendida os religiosos sim, sr. Rezende) deve ser a de buscar a conscientização para o problema da precocidade ? e que tanto laicos quanto religiosos tem esse papel a desempenhar, conjuntamente: simples assim!

O grande erro do Sinédrio é com a forma (!) de querer buscar abordar esta precocidade, pois, a exemplo de Nicodemos, doutor da Lei em Israel, ainda não compreendeu o Evangelho, que ele não age com imposições, não busca a submissão das pessoas à Lei mosaica, a usos e costumes religiosos, a autoridades religiosas (sinédrios e lideranças clericais ? aliás, note-se que o embate de Jesus é o tempo todo não com prostitutas, drogados, publicanos, bandidos... e sim com as lideranças religiosas, monopolizadoras e deformadoras, quase sempre, por si e por natureza, do Evangelho! Reparem). Buscar o Evangelho é a libertação da Lei e da abordagem controladora, fazendo um chamado de consciência que liberta e que salva, salva do fazer-se mal a si ou a outrem, como no caso de uma gravidez precoce.

Esta questão pode ser, portanto, resolvida com as políticas públicas e esta consciência ? perfeitamente harmonizáveis e úteis. Todo o Evangelho se resume à consciência (repito, c-o-n-s-c-i-ê-n-c-i-a), que caminha junto ao amor, consciência esta que transforma e conduz o ser humano, não à imposição recalcada e legalista de pudores excessivos e pânico de impureza e fobias. Como a Nicodemos, importa que a essa liderança religiosa local se promova um novo nascimento, de compreensão e Graça que liberta, para que não mais espante e escandalize gente boa (que acabam se lançando a involuntária desconfiança em relação à Fé) e se suscite debates tão pouco produtivos para o Evangelho e para a sociedade, pois Jesus não teve trauma algum em relação ao sexo, ao contrário da Igreja (ela, traumatizada), nem agiu com legalismo ? apenas com consciência e sabedoria.

Um exemplo das conseqüências dessa abordagem equivocada é enorme e cada vez mais crescente o número de homens casados que procuram auxílio em divãs para desabafar e buscar ajuda, conforto ou orientação na lida de problemas sexuais com esposas igrejadas ?travadas? (vaginismo, frigidez...), na maioria das vezes com clara ligação com receio/tabus em relação ao sexo (principalmente se forem mulheres filhas de gente de liderança), geralmente conseqüência de abordagens não saudáveis em relação à intimidade (contrária até ao espírito libertador do Evangelho, conscientizador e não apontador/condenador/ executor), em razão do legalismo opressor que até hoje (apesar da Cruz, que ocorreu por isso!) não se permitiu ser substituído pela consciência libertadora, moderada e genuína apresentada por Cristo ? ele, uma pessoa consciente, não-dogmática (apesar de intenso) e justa.

Quanto à questão da precocidade maternal pastores, basta apenas seguir-se o raciocínio de Jesus, que era não um inconseqüente ou inconsciente (não fugiu do mundo e até com o Diabo dialogava sem escandalizar-se), permitindo que César-Estado faça o que lhe cabe e que o mandamento do Amor coopere com isso, oferecendo/propiciando esta prevenção, com todos os meios contraceptivos conhecidos e permitindo/exortando que a consciência em relação ao próximo e a si aja e conduza a vida desses jovens ? mas com a consciência do Evangelho da Vida, que transforma a mente e a faz evitar erros e não com os grilhões dos legalismos de usos e costumes humanos-religiosos que são para a morte e em nada cooperam para a saúde da mente e do corpo.

Tanto a ação dos laicistas, quanto do Sinédrio deveria se pautar pelo bom senso não traumatizado ou embebido de preconceito e sim no interesse de harmonização e compreensão necessárias para abordar a questão, sem preconceitos de um lado e sem legalismos do outro. Ademais, pergunto: Conselho de Pastores? Pra que, se não se aconselham nem a si mesmos no Evangelho? Marchas, bispos-deputados, bancadas, busca por poder terreno e prosperidade material (se o Filho do Homem andava de jumentinho emprestado e sequer tinha onde reclinar a cabeça), pra que, se deveria-se congregar é no mundo e ser Sal da Terra com Amor, sem escandalizar os pequeninos com esses legalismos? Ao Sinédrio/Conselho de Pastores e entusiastas de Marchas e Bancadas (todos ainda no Antigo Testamento): "importa-vos nascer de novo"!

Camila Alvarenga