10 de julho de 2026
Esportes

CBF pedirá que Portuguesa descarte disputa judicial

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

O rebaixamento da Portuguesa no Campeonato Brasileiro virou um jogo de pressão. Dirigentes da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) querem fazer de tudo para que o caso seja esquecido.

Divulgação

Nesta quarta-feira (18), a Portuguesa se reúne para traçar a linha de defesa

O clube do Canindé lança no ar a possibilidade de entrar com ação na Justiça comum para permanecer na Série A.

A ameaça velada é uma barganha. Ir além da esfera esportiva seria motivo de embaraço para a CBF a sete meses da Copa do Mundo no Brasil.

O estatuto da Fifa diz, no artigo 69, que as associações nacionais devem tomar todas as precauções necessárias para que os filiados respeitem as decisões tomadas pelas entidades do futebol.

"É uma arma poderosa que temos. Vamos usar essa pressão. Eles podem se assustar", disse à reportagem um dos mais importantes nomes na diretoria do clube, que pediu anonimato.

Nesta quarta-feira (18) a cúpula da Portuguesa se reúne para traçar a linha de defesa a partir de agora. A única coisa definida é que apelação da sentença será feita ao pleno do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva). O advogado João Zanforlin, que fez a defesa no julgamento de ontem, pode não continuar.

"A Portuguesa conhece o Código Disciplinar da Fifa. No artigo 30, sugere que os pontos sejam descontados na edição seguinte do torneio. Podemos adotar este argumento. A Justiça Comum não está descartada, é uma possibilidade", disse Orlando Cordeiro, que a partir de 2 de janeiro será o novo diretor jurídico.

O presidente eleito, Ilídio Lico, também não descarta ir até o fim. Mas, por enquanto, não queria dizer isso com todas as letras.

"Vamos esgotar todas as possibilidades no STJD. Temos de acreditar em alguma coisa. A ficha não caiu ainda. Foi muito absurdo. Ouvi, durante o julgamento, o advogado do Fluminense falar em moralidade. Se existe alguém que não pode falar de moral, no futebol, é o Fluminense", disse o cartola.

Embora não tenha revelado a estratégia de defesa, confirmou a pressão para que o clube apele para a Justiça comum, se for preciso.

Pressão

O interesse da CBF é abafar a questão o mais rápido possível. A reportagem apurou que o presidente da CBF, José Maria Marin, e Marco Polo Del Nero, vice da entidade e presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol), vão conversar com a diretoria da Portuguesa para convencê-los a evitar acionar a Justiça comum.

O pedido será ampliado para que os diretores da Lusa orientem seus torcedores a não utilizar esse artifício, que podem trazer problemas ao clube e a CBF com a Fifa.

Marin também vai solicitar a diretores da entidade a elaboração de um projeto para que seja simplificada o aviso aos clubes de que atletas estão suspensos.

Oficialmente, a CBF diz que não vai se posicionar sobre o caso porque o assunto não está em sua alçada, mas avalia que a melhora da comunicação com os clubes com relação a atletas suspensos pode evitar que casos como o de Héverton se repitam no futuro.

Em reunião na sede da Federação Paulista, na semana passada, Del Nero e outros dirigentes da entidade lamentavam o rebaixamento da Portuguesa, já com a certeza de que o clube não conseguiria evitar a decisão contrária.

    

Indefinição atrapalha planos da Portuguesa para 2014


A queda para a Série B, por decisão do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), deixou os dirigentes da Portuguesa desnorteados. Não apenas pelo rebaixamento, mas pelo planejamento para 2014.

A reportagem apurou que o clube tinha uma estratégia planejada. Manter Guto Ferreira no comando da equipe e colocar Marcos Assunção como principal referência no meio-campo. O volante, que disputou a última temporada pelo Santos, faria contrato por produtividade.

Com o rebaixamento, nem o presidente eleito, Ilídio Lico, sabe como será a montagem da equipe."Não posso acertar nada. Enquanto não estiver definida nossa situação no Campeonato Brasileiro, não posso montar time, definir técnico... Estamos revendo os planos", afirmou o cartola, que assume o cargo no dia 2 de janeiro.

Nem mesmo renovações foram definidas. O atacante Diogo é um dos que ficam sem contrato em 31 de dezembro. Ele alega ter propostas de outras equipes, mas não descarta permanecer na Portuguesa.

"Eu ainda não sei o que vai acontecer. Estou livre para acertar com qualquer clube. Vamos ver se a Portuguesa vai oferecer para que eu continue", disse o atacante.

Lico conta com a possibilidade de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos oferecerem alguns atletas por empréstimo.