08 de julho de 2026
Geral

Queda de raios aumenta 30% em 1 ano

Por Tisa Moraes | Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação

Não há uma explicação precisa para justificar o fenômeno em Bauru

As tempestades registradas em Bauru neste ano foram responsáveis por uma marca tão surpreendente quanto assustadora. O número de raios que atingiram a cidade em 2013 foi 30% maior do que o registrado no ano passado.

Em média, foram quase oito descargas elétricas diárias que efetivamente atingiram o solo, num total de 2.608 registros entre janeiro e novembro deste ano. No mesmo período de 2012, foram contabilizados 2.005 raios, uma média de seis descargas por dia, segundo dados do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Elat/Inpe).

Somente durante a tempestade registrada na madrugada de 29 para 30 de novembro, 130 raios atingiram o solo bauruense e outros 390 ficaram entre as nuvens. Segundo informações do Elat/Inpe, as descargas ocorreram entre as 23h e as 3h, predominantemente nas regiões sul e leste da cidade, e corresponderam a 56% do total de raios que caíram sobre a cidade no mês passado.

O geofísico Osmar Pinto Junior, coordenador do órgão, explica que a incidência de 130 raios é considerada alta, embora casos raros estejam classificados acima do patamar de 500 raios que efetivamente chegam ao solo. “Mas, na média, o volume de raios durante uma chuva vai de 20 a 50. Portanto, o que ocorreu em Bauru foi algo atípico, ainda que não seja extremo”, detalha.

De acordo com o geofísico, não há uma explicação precisa para justificar o fenômeno assistido em Bauru naquela madrugada ou mesmo o aumento de 30% na incidência de um ano para outro. “As descargas ocorrem de maneira aleatória, a não ser que haja um fator ambiental determinante que modifica esta randomicidade”, frisa.

Impreciso

Por este motivo, ele diz não ser possível precisar se tempestades de raios semelhantes serão registradas na região até o final da época chuvosa, em março. O coordenador do Elat destaca que a influência sobre o índice de raios costuma acontecer apenas em cidades com mais de 500 mil habitantes, que são bastante urbanizadas.

Não é o caso de Bauru, que possui, atualmente, uma população estimada em 362 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Nestas cidades maiores, formam-se as chamadas ilhas de calor. Devido à impermeabilização do solo, construção de prédios e grande circulação de veículos, entre outros fatores, a temperatura fica mais elevada, o que potencializa a ocorrência de tempestades de raios”, detalha (leia mais abaixo).

Em Bauru, segundo o Elat, a média histórica é de 6,18 raios por quilômetro quadrado por ano, abaixo do índice do Estado de São Paulo, que é de 9,29 raios/km² por ano. Segundo Pinto Junior, as áreas do Estado em que a concentração de raios é maior são a Grande São Paulo, a região de Campinas e o Vale do Paraíba.


Ressarcimento

As tempestades ocorridas na região, além dos alagamentos, têm provocado outros tipos de problema para alguns bauruenses: a queima ou defeito de aparelhos elétricos, em decorrência da instabilidade na rede provocada pela queda de raios.

A CPFL informa que, para solicitar o ressarcimento, o consumidor deve entrar em contato com a companhia em um prazo de até 90 dias depois da ocorrência.

É preciso fornecer uma breve descrição do caso com provável data e horário do ocorrido, informações sobre sua unidade consumidora, relato dos problemas apresentados e detalhes da marca e modelo do aparelho.

As informações devem ser repassadas por meio dos canais de relacionamento da empresa, que tem um prazo de 15 dias, a partir do registro, para analisar a solicitação e conceder uma resposta aos clientes.

 

A rede de atendimento da CPFL Paulista pode ser contatada, qualquer dia e horário da semana, pelo site www.cpfl.com.br, pelo e-mail paulista@cpfl.com.br ou ainda pelo telefone 0800-0101010.


Ilhas de calor estimulam tempestades com raios

Estudo inédito realizado pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Elat/Inpe) em 14 cidades com mais de 500 mil habitantes revelou que a incidência de tempestades com raios se tornou 79% maior nos últimos 60 anos. Segundo o levantamento, de 1910 a 1951, estas cidades registravam média de 43 dias de tempestade por ano.

Em 2010, esse número saltou para 77 dias. As cidades que apresentaram dados mais relevantes foram São Paulo, Goiânia, Belém e Manaus, com aumentos superiores a 100%.

O Elat considera como tempestade a chuva acompanhada de raios cujos trovões associados são escutados por observadores, que ficam em aeroportos ou em outros locais estratégicos para a coleta dos dados.

O aumento da incidência reforça pesquisas que sugerem que este fenômeno está associado a causas induzidas pela ação humana, como as ilhas de calor criadas pelos grandes centros urbanos em função das superfícies artificiais (asfalto), dificuldade de reirradiação por causa dos prédios, falta de vegetação e poluição atmosférica.

Segundo o Elat, é possível também que parte do aumento esteja relacionada ao aquecimento global do planeta. A estimativa é de que as tempestades devam aumentar em 20% nos próximos 50 anos, em todo o mundo, por conta do aumento da temperatura global.