A arte de produzir objetos basicamente com o uso das mãos, sem escala, tem identificação originária pelos historiadores a período muito anterior ao nascimento de Cristo. E a mesma história que empresta aos artesãos o reconhecimento, no tempo, das habilidades ancestrais do ser humano também projeta, no período natalino, a opção pelos trabalhos eminentemente manuais como símbolo das relações de afeto e amizade. E a solidariedade humana fomenta a economia popular.
Seja por intermédio de uma lembrancinha ou uma elaborada peça talhada em madeira, o fato é que o artesanato transfere informações de cordialidade, cuidado e carinho com o presenteado no Natal. Não se trata de desmerecimento ao presente de natureza mais consumista, de modismo ou de conteúdo tecnológico, mas de reconhecer o ingrediente da simbologia e distinção dedicadas às relações humanas inseridas no conceito do “presente artesanal”, uma opção que reforça, para muitos, um dos elos mais primitivos do ser humano: o da capacidade de transformar uma infinidade de matérias-primas em arte ou beleza tendo as próprias mãos como “ferramenta” fundamental.
São pedras, madeiras, borracha, tecidos, ceras e outras tantas matérias primas sendo modificadas, lapidadas, remanufaturadas em nome do artesanato. Em Bauru, a atividade não só está presente em dezenas de bairros, como está sendo capaz de organizar dezenas de artesãos e de fomemtar a economia segmentada popular. O Natal e as datas comemorativas com maior ingrediente humanitário, de vínculos emocionais, como o Dia das Mães e dos Pais, ampliam a demanda e exigem reforço no “estoque” de peças e fôlego para o atendimento do público.
Segundo a Associação de Artesãos de Bauru, 45 profissionais do setor estão formalmente cadastrados no meio. As atividades, com apresentação das produções para a comercialização, incorporam, há pelo menos dois anos, calendário consolidado e espaços além da Feira Ubá - tradicionalmente realizada no segundo domingo de cada mês no Parque Vitória Régia.