O suicídio é um problema de saúde pública, segundo o consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS) José Manoel Bertolote. “Sobretudo, por ser uma forma de óbito, por ser muito frequente - cerca de 900.000 por ano, segundo a OMS -, mais do que todas as mortes devidas a guerras e homicídios em todo o mundo, e por ser previsível”, diz.
Para a OMS, 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, desde que existam condições mínimas para a oferta de ajuda voluntária ou profissional. O Centro de Valorização da Vida (CVV) é um grupo de voluntariado que oferece serviços gratuitos de prevenção ao suicídio.
De acordo com eles, pelo menos 25 pessoas tiram a própria vida diariamente no Brasil e pelo menos outras 50 tentam o suicídio. Por isso, o Ministério da Saúde considera o problema como de saúde pública. No site cvv.org.br há indicação das cidades, em todo o País, onde há atendimento e seus respectivos telefones. Para a entidade, chama a atenção o crescimento dos casos de suicídio entre jovens, ocupando a terceira causa de morte na faixa etária de 15 a 35 anos no Brasil.
Segundo Bertolote, nos países bálticos (Lituânia, Estônia e Letônia) e seus vizinhos, antigas repúblicas soviéticas (Rússia, Bielorrússia e Ucrânia), o número de suicídios é maior. “A presença de um ‘padrão cultural’ facilitador do suicídio e o altíssimo consumo de bebidas alcoólicas já foram identificados por diversos pesquisadores como fatores de peso para essas altas taxas.”
Mas como prevenir o suicídio? Esta é a pergunta que não se cala, especialmente para aqueles que já tiveram amigos ou parentes que colocaram fim à vida sem ao menos deixar uma justificativa, uma explicação para o ato extremo. Bertolote enfatiza que é difícil responder suscintamente a uma pergunta que pode ter muitas respostas. Ele diz que em sua biblioteca tem diversos livros (alguns com cerca de mil páginas) exclusivamente sobre a prevenção ao suicídio. “Entretanto, a Organização Mundial da Saúde preconiza quatro medidas básicas de prevenção do suicídio”.
A primeira delas é o tratamento adequado dos transtornos mentais, controle de substâncias tóxicas (pesticidas, medicamentos etc), controle de armas de fogo, comportamento adequado da mídia, evitando o sensacionalismo e a glorificação do suicídio.