08 de julho de 2026
Ciências

Não nascemos bobos, nem chatas!

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 3 min

Depois da concepção homens e mulheres são iguais. A futura menina continua seu desenvolvimento, mas os meninos se transformam e ganham características específicas. No período embrionário, inicialmente somos todos iguais e pode-se dizer até que todos foram mulheres um dia. Que me perdoem os machões, vocês já foram mulheres!

Saibam o que Mirian Goldenberg, antropóloga, professora da UFRJ e autora do livro “Homem não chora. Mulher não ri” descreve sobre suas pesquisas: os homens dizem que brincam e se divertem mais do que as mulheres, mas as mulheres gostariam de rir e brincar mais! Para os homens, segunda ela, não há nada de errado em quem ri muito.

Para as mulheres quem dá muitas risadas pode ser visto como um bobo, superficial, infantil, idiota, inconveniente e inoportuno. Segundo ela, para as mulheres,  quem nunca riem, ou riem controladamente, demonstram seriedade, comprometimento, concentração, sobriedade e impõem respeito. As mulheres acham que brincar ou rir muito, pode ser mal visto pela sociedade e se prejudicarem profissionalmente. Elas tem medo de aparentarem se vulgares, superficiais e irresponsáveis. A mim, isto parece insegurança e medo!

Quem ensina essas coisas aos homens e mulheres? Seus pais, a família, a escola e a mídia! Os cérebros nascem iguais e a vida com o passar dos anos vai modelando suas atividades. Incrível! Para o bem ou para o mal.

A diferença entre homens e mulheres tem raízes culturais e familiares, ou seja, são ensinadas, os cérebros nascem iguais. Foi o que demonstrou o trabalho realizado na Universidade da Pensilvânia por dez pesquisadores liderados pela neurocientista Ragini Verma e publicado na revista PNAS (Proceedings of National Academy of Sciences).

Cada cérebro humano tem dois hemisférios ou lados bem definidos ligados de forma mais estreita na linha média. As células do cérebro são os neurônios que tem um fio ou prolongamento conhecido como axônio, além de outros fios menores. No cérebro tem uma massa de neurônios e fios intercomunicantes, uma rede fascinante de interação. Os homens têm mais axônios do que a mulheres, cujos cérebros se têm mais células e menos prolongamentos.

Em 949 pessoas entre 8 a 22 anos, os cérebros foram examinados e mapeados por ressonância magnética. Os homens apresentaram uma maior conexão e comunicação entre os próprios neurônios de cada hemisfério, do que com os do outro hemisfério lateral. As mulheres, por sua vez, apresentaram uma intercomunicação neuronal bem maior entre os dois hemisférios laterais, do que entre os neurônios do mesmo hemisfério. No cerebelo os dados são invertidos.

Isto ajuda explicar as diferenças entre os homens e mulheres relacionadas à funcionalidade cerebral. O homem tende a ter uma melhor e mais refinada atividade motora com uma visão espacial melhor do mundo ao seu redor. A mulher, por outro lado, tem uma maior sociabilidade e domina mais a linguagem.

Segundo a pesquisadora que liderou a pesquisa, os cérebros masculinos são estruturados para facilitar a conectividade entre ação e percepção; enquanto os femininos  para facilitar a comunicação entre o processamento intuitivo e analítico. Quase podemos afirmar que os dados suportam observações como as de que o homem é mais de fazer e a mulher mais de falar e se comunicar.

E olhem outra evidência do mesmo estudo: em crianças os cérebros dos meninos e meninas são iguais! Não houveram diferenças como as observadas nos cérebros dos adultos. A diferença não é de nascimento, é construída pela educação, é cultural! Pasmem.

Acho que os pais e mães deveriam prestar mais atenção e deixar de afirmarem certas coisas sem bases científicas e com base em fortuitas observações. Dois exemplos dessas afirmações populares: 1) as mulheres gostam de DR, e homens também, mas de DRs diferentes: mulheres adoram “Discutir Relações” e homens “Dar Risadas”! 2) os homens são bobos e as mulheres são chatas, uma frase do humorista Cláudio Torres Gonzaga.

Os dois exemplos podem ser verdadeiros, mas os dados científicos mostraram que: ... alguém está ensinando nossas crianças a se tornarem adultos com estes estigmas e características. As mulheres são chatas e gostam de DR por que desde crianças aprendem assim e os homens são bobos, adoram sair com os amigos, falar bobagem e rir muito por que seguem exemplos. Quem está ensinando isto às nossas crianças são os pais, a escola e a mídia.

E agora? Reflitamos!