Três ministros da Turquia renunciaram aos seus cargos nesta última quarta-feira (25) devido ao escândalo de corrupção que foi revelado pela polícia na semana passada.
Zafer Caglayan (Economia), Muammer Güler (Interior) e Erdogan Bayraktar (Meio Ambiente) renunciaram depois que um juiz decretou, no último dia 17, a prisão preventiva de seus filhos, Kaan Çaglayan e Baris Güler, acusados de participar de uma rede de subornos. Os dois ministros negaram qualquer culpa, segundo o site turco Hürriyet.
"Ficou muito claro que a operação é uma suja maquinação contra nosso governo, nosso partido e nosso país", disse Çaglayan em sua declaração de renúncia. "Renuncio para que a verdade possa vir à tona e destruir este jogo indecente no qual envolveram amigos próximos e meu filho."
O ministro do Interior deu declarações parecidas e classificou a investigação do caso como "jogo sujo".
Os ministros anunciaram sua renúncia após uma reunião com o primeiro-ministro, o islamita moderado Recep Tayyip Erdogan, que retornou na terça-feira (24) à noite de uma viagem oficial ao Paquistão, na qual esteve acompanhado pelo próprio Çaglayan.
Um total de 24 pessoas, entre eles o diretor do banco estatal Halkbank, foram presas preventivamente, enquanto outras, entre os quais um prefeito do governamental AKP e um milionário do setor da construção foram libertadas.
Os acusados são suspeitos de terem fraudado a licitação de contratos urbanos. Além disso, são acusados de negócios ilícitos relacionados com o envio de ouro para o Irã, esquema que evitava as sanções internacionais contra o país em função de seu controvertido programa nuclear.
Em reação, o governo turco ordenou a transferência ou suspensão de cem chefes da polícia e publicou uma norma que proíbe a abertura de investigações pelo Ministério Público sem informar previamente instâncias superiores.
Há suspeitas de que a investigação tenha uma relação com a luta pelo poder no partido AKP e o influente movimento do pregador Fethullah Gülen, um religioso conservador que durante anos foi aliado de Erdogan.