10 de julho de 2026
Nacional

Conflito-AM: moradores ateiam fogo em sede da Funai

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Revoltados com o desaparecimento de três homens, moradores de Humaitá (a 400 km de Manaus) atearam fogo na sede da Funai e da Funasa na noite da última quarta-feira (25) e destruíram 13 veículos e três barcos usados no transporte de índios.

Índios da etnia Tenharin, que vivem em uma área próxima à cidade, faziam compras na região central quando começaram a ser hostilizados pelos moradores, que os responsabilizam pelo desaparecimento dos três.

Cerca de 60 índios decidiram se refugiar na base do 54º Batalhão de Infantaria de Selva, o que desencadeou a revolta da população.

O tumulto começou por volta das 19h. Segundo a Policia Militar em Humaitá, cerca de 3.000 pessoas participaram do protesto e entraram em confronto com os policiais.

Usando galões com gasolina, os moradores atearam fogo na sede da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) e da Funai (Fundação Nacional do Índio) e nos carros estacionados no pátio e depois seguiram para as margens do rio Madeira, onde incendiaram três barcos de grande porte usados para transportar os índios para a aldeia.

A PM ainda tentou conter a multidão com balas de borracha e bombas de efeito moral, mas o efetivo reduzido recuou diante da multidão.

Cinco pessoas ficaram feridas no confronto com a polícia. Foram atendidas no hospital local e liberadas.

Foram enviados para Humaitá homens da Força Nacional, da Policia Rodoviária Federal e das polícias Civil, Federal e Militar. A PF não informou o efetivo enviado à região.

Clima tenso

Na manhã desta última quarta-feira (25), em entrevista à imprensa, o superintendente da PF em Rondônia, Carlos Manoel Gaya da Costa, disse que o clima na região é de muita tensão.

Segundo ele, os índios não são amigáveis e limitaram a área de atuação dos agentes da PF na área indígena. "Eles dificultam o acesso da polícia à área e negam envolvimento no desaparecimento dessas pessoas", disse Gaya da Costa, ressaltando que teme um confronto entre índios e brancos na região.

Os moradores acreditam que os índios sequestraram os três homens -Aldeney Ribeiro Salvador, funcionário da Eletrobras, Luciano Conceição Ferreira, representante comercial, e Stef Pinheiro de Souza, professor da rede municipal de Humaitá- em represália pela morte de um cacique Tenharim, encontrado sem vida na rodovia Transamazônica.

Os índios dizem que ele foi assassinado, mas a polícia disse que ele foi vítima de um atropelamento.

Os três estão desaparecidos desde o dia 16 de dezembro, quando saíram da cidade de Apuí com destino a Humaitá.

Desde quarta-feira (25), um grupo bloqueia a BR-319, que liga Humaitá a Apuí. A reportagem não conseguiu contato com a Funai em Humaitá. Na Funai em Manaus, foi informado que uma equipe está se deslocando para a região.

A terra indígena possui 1.309 hectares, foi criada em 1993 e é habitada por cerca de 220 índios.