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O Natal de uma família bauruense quase terminou em tragédia em um rancho de Presidente Epitácio, a 365 quilômetros de Bauru. Quatorze pessoas brincavam no rio Paraná, no Parque O Figueiral, quando foram atingidas por uma descarga elétrica.
Todos foram derrubados pelo impacto da corrente, mas sobreviveram, o que leva a crer que o raio não tenha atingido diretamente o grupo. Seis vítimas sofreram queimaduras e dois jovens, Sidney Silvestre Joaquim, 18 anos, e Felipe Costa Silvestre, 19 anos, chegaram a ficar inconscientes, mas foram socorridos e conseguiram se recuperar.
Sidney foi o último a receber alta e deixou ontem a Santa Casa de Presidente Epitácio. Durante a tarde, toda a família iniciou a viagem de volta a Bauru e deveria chegar à cidade por volta das 21h.
O acidente foi registrado no último dia 23. No dia 21, os parentes haviam viajado em cinco carros para passar o Natal em um rancho de familiares em Presidente Epitácio. Chovia forte por volta das 18h, quando 14 pessoas com idades entre 13 e 45 anos se banhavam em um trecho raso do rio Paraná.
A suspeita é de que o raio tenha caído próximo ao grupo e parte da corrente elétrica tenha sido conduzida pela água até os corpos. Segundo uma das vítimas, Madalena Silvestre Sales, 45 anos, quase todos perderam a força muscular e caíram no momento da descarga, mas logo recobraram a consciência, com exceção de Sidney e Felipe.
“A gente já estava saindo do rio quando tudo aconteceu. Só estava esperando o Sidney se lavar, porque ele tinha sido ‘enterrado’ numa brincadeira com as crianças. Ele estava totalmente submerso quando o raio caiu”, relembra Madalena, que é tia do rapaz.
Desespero
Todo o desespero da família foi registrado em fotos por Lucimara Silvestre da Silva, 34 anos, que estava fora da água e não foi atingida. “Eu vi todo mundo saindo correndo, achei que fosse uma brincadeira e comecei a fotografar com o celular. Só depois quando eles começaram a chegar até a mim, gritando e com a mão no peito, é que fui entender o que estava acontecendo”, narra.
Inconscientes, Sidney e Felipe foram arrastados pelos próprios familiares até a margem do rio e socorridos pelo Corpo de Bombeiros. Seis pessoas sofreram queimaduras de primeiro e segundo graus nas partes do corpo onde havia acessórios metálicos como anéis, colares, pulseiras, brincos, piercings e relógios. As demais vítimas foram encaminhadas para a Santa Casa com queixas de dores.
Todas receberam alta por volta da meia-noite do mesmo dia, com exceção de Sidney, que permaneceu internado por três dias até se recuperar totalmente. “Ele estava com muitas dores e foi submetido a uma série de exames, mas nada foi constatado, graças a Deus”, comenta Madalena.
Após o susto, na tarde de ontem, a família se reuniu novamente às margens do rio para orar e agradecer pela vida de todos os envolvidos. “Não foi o Natal que a gente esperava, mas o importante é que a gente pôde voltar para casa com saúde. Estamos abalados, mas felizes por todos estarem bem”, completa.
Banhistas devem sair da água em dias de chuva
Em dias de temporal, a recomendação é sair imediatamente da água (praia ou piscina) ao menor indício de raios ou trovões. A água do mar é altamente condutora de eletricidade e raios que ocorrem no oceano podem provocar choques elétricos nas pessoas a até cinco quilômetros de distância.
Outra dica é evitar locais descampados – como os campos de futebol, pastagens, estradas, montanhas e margens de lagos – onde você seja o objeto mais alto em relação ao chão. É prudente, ainda, afastar-se de postes de iluminação e cercas de arame farpado.
Procurar abrigo debaixo de árvores é um erro muito comum e que pode ser fatal. Se não for possível entrar em uma residência, o melhor é ficar agachado no chão, com as mãos na nuca e os pés juntos. Se possível, a recomendação é ficar dentro de um automóvel, mantendo, se possível, as janelas fechadas.
Evite também falar ao telefone, principalmente os fixos com fio, pois a fiação pode transportar a corrente elétrica de um raio. Os aparelhos eletrônicos devem ser desligados da tomada. Com isso, evita-se que queimem e até mesmo provoquem incêndio, em caso de ocorrência de raios muito próximos e muito intensos.
Descargas diretas são letais, afirma Inpe
Ao contrário do que se imagina, todos os raios provocam a morte se atingirem diretamente suas vítimas. Os sobreviventes deste tipo de fenômeno meteorológico certamente foram atingidos apenas pela corrente elétrica que percorreu o chão, a uma distância de 50 metros ou mais da descarga, conforme explica Osmar Pinto Júnior, coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Elat/Inpe).
“É o que acontece, como já mostrado na televisão, com jogadores de futebol treinando na chuva. O raio cai nas proximidades e todo mundo vai ao chão ao mesmo tempo, mas logo depois recobra a consciência, porque a corrente chegou até eles com menor intensidade”, exemplifica.
Porém, conforme lembra Pinto Júnior, até as descargas elétricas mais fracas podem matar. Elas possuem intensidade de corrente de 2 mil ampères, 100 vezes mais forte do que a corrente de um chuveiro elétrico. Já os raios típicos variam de 20 a 30 mil ampères e os fortes estão acima de 200 mil ampères.
Ainda de acordo com o coordenador, a maioria das vítimas – letais ou não – é atingida na zona rural, onde existem descampados e as pessoas estão mais expostas. “Na área urbana, as pessoas estão dentro de carros ou dentro de casa, locais muito mais seguros do que o céu aberto”, aponta.
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Divulgação |
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Vítimas saem do rio logo após serem atingidas indiretamente por um raio |