11 de julho de 2026
Cultura

Ricos de novo...por pouco tempo


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Reprodução Internet

Fime 'invade' salas de cinema para forçar faturamento logo no primeiro fim de semana

Vai ser o maior lançamento de um filme brasileiro - 734 salas, mais do que as 700 e tantas de “Tropa de Elite 2”. Até pouco antes do Natal, a produtora Downtown e a distribuidora Paris ainda recebiam pedidos de integração ao monumental circuito que vai exibir “Até que a Sorte nos Separe 2”, que estreia hoje. Após o estouro de “Até que a Sorte nos Separe” - uma das grandes bilheterias do ano que se encerra -, todo mundo quer entrar bem em 2014 com Leandro Hassum. Ele é o homem. O próprio Leandro relaxa. Terminou de rodar “Os Caras de Pau - O Filme” e se mandou para sua casa em Miami. “A gente faz o melhor que pode, mas chega um momento em que não faz mais nada. Só espera.” O momento é este. “Até que a Sorte 2” vai tomar de assalto o circuito exibidor. Um blockbuster brasileiro com números de blockbuster hollywoodiano. A Paris e a Downtown aprenderam a fazer esses lançamentos gigantescos. O segredo é o mesmo de Hollywood - ocupar o maior número de salas para forçar o faturamento no primeiro fim de semana.

Pode-se retomar aquela radiografia do cinema brasileiro que a reportagem já fez recentemente. O share do cinema brasileiro, a participação no próprio mercado, aumentou neste ano - algo em torno de 17% (ou 18%). Mas se o cinema vai bem, os filmes nem tanto. Os números vistosos foram fornecidos pelas comédias - e não todas. Elogiadíssima pelos críticos, “Vendo ou Alugo”, de Betse de Paula, não foi lá essas coisas.

Em compensação, Ingrid Guimarães (“De Pernas pro Ar 2”), Paulo Gustavo (“Minha Mãe É Uma Peça”) e Leandro Hassum arrebentam. “Até que a Sorte 2” entra em mais de 700 salas e também nesta sexta estreia “São Silvestre”. O longa de Lina Chamie é simplesmente o melhor filme brasileiro do ano que está terminando. Mas é aquilo que se chama de ‘biscoito fino’. Vai entrar em três salas de São Paulo, Rio e Curitiba, e em apenas um horário de cada uma delas.

Cada filme tem seu tamanho. “Até que a Sorte 2” foi projetado para ser grande, e cresceu mais ainda. O diretor Roberto Santucci, que também fez o 1, beneficia-se do sucesso. “O faturamento do 1 aumentou os recursos do 2. Com mais dinheiro, deu para fazer um filme melhor e mais caprichado.” Ele não exagera. É a lógica do mercado. A própria Lina Chamie não se queixa. “Somos loucos - eu porque fiz o São Silvestre, você porque dá toda força ao filme”, ela disse à reportagem. “São Silvestre” é um acontecimento, uma epifania. Mas “Até que a Sorte 2” não deixa de ser outro acontecimento, e de outra natureza. O 2 é melhor que o 1, como “De Pernas pro Ar 2” também é melhor que o 1. Roberto Santucci fez os quatro. É o rei Midas do cinema brasileiro.

Ele defende sua criação e até apresenta motivos para explicar o tropeço em sua carreira recente - “Eu Odeio Dia dos Namorados”, feito com o mesmo empenho, apresentou números decepcionantes. Além de um elenco ‘menos aquecido’ - um jargão de mercado -, o filme não tinha a mídia da Globo Filmes, e isso, sim, faz a diferença.


Da herança à dívida com mafiosos

“Até que a Sorte 2” repete o ponto de partida do 1, só que maior. Você se lembra - o casal Leandro Hassum/Danielle Winits ganhava na loteria, ficava rico, mas gastava tudo, até o último centavo. Eles começam o 2 pobres (de novo) e ganham uma herança, do tio rico de Danielle. Ops, Danielle caiu fora, substituída por Camila Morgado. Escalada para a atual novela das 9, Danielle não poderia cumprir o cronograma da filmagem no exterior.

Porque a herança veio de Maurício Sherman, que ganhou seu primeiro milhão em Las Vegas e pede que suas cinzas sejam jogadas na cidade do jogo. Você já sacou - embora rico, riquíssimo, Hassum perde tudo nas roletas de Vegas. Fica devendo para mafiosos. Até a história ficou melhor.

O achado de “Até que a Sorte 2” ocorre de cara, nos primeiros minutos - como justificar a presença de Camila Morgado no lugar de Danielle Winits? Afinal, não se mexe em time que está ganhando... A solução nasceu durante as leituras de mesa que Santucci gosta de fazer com seu elenco, antes da rodagem, e é tão simples quanto engenhosa. Um movimento de câmera, uma frase de diálogo explicam tudo. E a ideia não foi do diretor. “Nasceu no grupo. O que é bom, a gente aproveita”, diz Santucci e essa é a tônica do profissionalismo que ele (e outros...) vem imprimindo ao cinema brasileiro. Várias outras ideias também foram agregadas - filmar no Venetian, o hotel que reproduz a cidade italiana, com gôndolas e tudo; e ter Jerry Lewis no papel do ‘bellboy’, o mensageiro.


Jerry Lewis e Anderson Silva são atrações

Jerry Lewis aparece pouco em “Até que a Sorte nos Separe 2”, mas suas cenas fazem toda a diferença, como as de Camila. Casa em Los Angeles, filmagem em Vegas. “Tenho um amigo RP do Venetian que nos ajudou a conseguir o hotel. E foi ele quem me falou de um show do Jerry Lewis no cassino. Fui correndo”, diz Hassum.

“Um amigo conhecia a ‘Pat’, que é cantora e na verdade é brasileira e se chama Patrícia. É nora do Jerry, e também ajudou para que ele fizesse o papel”. Pat deu a dica - Jerry curte demais seu primeiro longa, The Bellboy/Mensageiro Trapalhão. “Ele adorou fazer o bellboy”.

No final, depois de toda a confusão, Hassum e Camila casam-se vestidos de Elvis e Marilyn. “Eu também casei assim”, conta Hassum. Mas não tem vergonha de ser brega, hein cara? “Eu não. Quero mais é ser feliz”. O longa ainda tem participação do lutador Anderson Silva.