Através do estudo da arte, alunos das escolas das redes municipal e estadual de Bauru e região transformaram seus olhares a respeito da cidade em que vivem. Neste semestre, diversos projetos elaborados por arte-educadores, participantes do projeto “A Cidade que é a Nossa Cara”, do Instituto Arte na Escola, foram colocados em prática em dezenas de escolas. Seis deles foram escolhidos para receber material escolar da Tilibra, patrocinadora da iniciativa, que ainda contou com parcerias da Faac/Unesp, Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC), Secretaria Estadual de Cultura, Prefeitura de Bauru e Diretoria de Ensino.
Um dos projetos, “A Arte e o Tempo” teve como proposta criar um diálogo com a cidade, com as pessoas e transformar espaços urbanos através da sensibilidade artística. Liderado pela professora Rose da Silva, as atividades envolveram alunos dos três anos do Ensino Médio da E. E. Prof. Francisco Alves Brizola, em Bauru.
A iniciativa resultou em vários trabalhos, todos ligados à necessidade de criar um novo olhar sobre a cidade. Pintura da fachada do muro da escola com pontos históricos, produção de vídeos, desenhos, rodas de conversa e até um livro feito por imagens narrando a história de vida de uma funcionária da escola foi feito.
“Queria provocar esse olhar diferenciado da cidade, uma ruptura dessa coisa automatizada, da gente não parar para perceber os locais pelos quais passamos diariamente. A reflexão foi feita neste sentido, de pensar o motivo daquele ponto estar ali, qual o sentido, objetivo, significado”, explicou a docente.
Ao sensibilizar os estudantes para a questão do patrimônio, Rose realizou rodas de conversa e discussões em sala de aula. “Acho que a arte está em muita coisa da cidade. Tem uma pedra numa avenida aqui em Bauru que a gente nunca tinha reparado – a gente nem percebe que tem um significado ali”, indicou a estudante Paula Larissa Venâncio Silva.
Arte postal
O universo que envolve a arte postal foi uma das principais inspirações para o projeto desenvolvido pelo professor Jean Morales, com alunos do 5º ano da Emef Alzira Cardoso, em Bauru. Jean incentivou os alunos a criarem uma identidade visual e deixar esta “marca” na produção de selos e carimbos, sempre relacionados ao espaço urbano, visual e emocional. Os postais produzidos destacam a relação que os alunos têm com estes espaços públicos do bairro em que residem e da escola que frequentam.
“Eu não quis trabalhar com pontos turísticos tradicionais de Bauru, como Parque Vitória Régia, etc., pois eles vão até estes lugares e voltam, não vivem lá. Quis, portanto, trabalhar o lugar onde vivem, os bairros deles. Então, eles começaram a produzir desenhos e registros do espaço do bairro mesmo”, expôs Jean.
A percepção da criança
Educar o olhar, perceber os sentidos e (re)descobrir a cidade através de suas cores, formas, movimentos e sons. Esses foram os objetivos principais do trabalho da professora Ana Kátia Modolo, realizado com crianças entre 2 e 4 anos, do maternal II da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Rosangela Vieira Martins de Carvalho, em Bauru.
Maquetes, fotografias, desenhos e pinturas foram alguns dos trabalhos feitos pelos alunos. O projeto ainda envolveu os pais das crianças, que foram estimulados a conversar sobre Bauru com os filhos e fazer passeios pela cidade.
O Rito e a Poética
Outro projeto, só que desenvolvido em Lençóis Paulista, teve como objetivo reconhecer os cemitérios como fontes de conhecimento histórico, artístico e cultural. Esta foi a ideia da professora Josiane Pacheco, que envolveu alunos do 7º ano da Escola Estadual Dr. Paulo Zillo.
A docente conta que escolheu o cemitério como um dos focos principais de seu projeto, já que acreditava ser este um espaço rico para construção de histórias e análise artística. “Na visita ao cemitério, os alunos começaram a ver que ali havia história e foram se despindo dos preconceitos que rondam este lugar”.
Reconhecer o patrimônio
Resgatar memórias, reconhecer o patrimônio e reformular um olhar para a cidade e para o lugar de cada um nela. O projeto da professora de artes Rosângela Guedes envolveu alunos do terceiro ano do Ensino Médio da E. E. Prof. Azarias Leite, em Bauru. “A intenção foi resgatar um olhar pra si próprio, para a escola e para a cidade. Os alunos descobriram patrimônios não somente nos que são considerados cartões-postais, mas naqueles que fazem parte da história da cidade. Muitos estão esquecidos e são poucos vistos. Mas é só voltar o olhar que passamos a enxergá-los”, discorreu.
Uma das referências dos estudos foi o arquiteto já falecido Jurandyr Bueno Filho. “Através dessas obras, os alunos trabalharam elementos arquitetônicos. Construíram uma visão de Bauru e nesse processo encontraram a forma curva e côncava em quase tudo. Puderam identificar várias referências de curvas na cidade em pontos históricos e em outros contextos”, explicou a professora.
Elo Dança x Cidade
Como resgatar a importância da dança e fazer uma ligação com os pontos significativos da cidade? Esse foi o desafio proposto pela professora Silvia Helena Buti Camargo, que trabalhou com os alunos do 8º ano da Emef Santa Maria, em Bauru.
Além de trabalhar o sentido da dança, a docente fez um elo com os pontos do município. “Quis fazer este resgate da dança e criar um elo com os pontos significativos da cidade pra cada aluno, de acordo com a pesquisa que eles fizeram da sua relação com a cidade”, declarou. Depois, os participantes tinham que representar esta relação através da dança.