08 de julho de 2026
Esportes

Fórmula 1: questão de adaptação


| Tempo de leitura: 4 min

Não bastasse a mudança de equipe, Felipe Massa terá de superar também as alterações no regulamento da Fórmula 1 se quiser voltar a figurar entre os líderes do campeonato a partir de 2014. O brasileiro segue mostrando empolgação com a troca de time para a próxima temporada, assim como não esconde a preocupação com o carro que receberá.


Além de mudanças na aerodinâmica dos veículos e da numeração fixa para os pilotos, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) sinaliza com diferença no sistema de pontuação das últimas provas do ano. A intenção é dobrar os pontos do vencedor das corridas decisivas, medida que não tem sido muito bem recebida pelos pilotos.


O principal fator de preocupação para Massa, entretanto, está nos novos motores que as equipes terão de desenvolver. Até a última temporada, vencida pelo alemão Sebastian Vettel e pela Red Bull Racing, os motores eram V8 de 2.4 litros e serão substituídos por V6 de 1.8 litros turbo nos próximos meses.

 

Vettel dispara: ‘Espero que as novas regras não criem um abismo’

As mudanças técnicas e esportivas que vão agitar a Fórmula 1 em 2014 têm sido encaradas pelas equipes menores como esperança para reduzir a diferença para os times maiores. Mas nem todos analisam as alterações deste ponto de vista. Para o tetracampeão mundial Sebastian Vettel, as novidades podem ter efeito contrário, criando um “abismo” entre as equipes.


“No próximo ano muitas coisas vão mudar e é difícil fazer previsões de qual será o impacto nas corridas. Eu apenas espero que isso não crie uma distância maior entre os carros, porque o que vimos nos últimos anos foi uma boa batalha entre muitos times”, afirmou o piloto da Red Bull, em entrevista para a “Autosport”.


Vettel se refere principalmente à temporada 2012, quando as sete primeiras corridas foram vencidas por pilotos diferentes. O equilíbrio, contudo, não se repetiu neste ano. O alemão venceu as últimas nove etapas do campeonato e se sagrou tetracampeão quando ainda faltavam três corridas para o fim da temporada.


“Tivemos alguns campeonatos muito apertados no passado e então tivemos campeonatos que não foram tão apertados assim. Mas assim é a Fórmula 1, foi assim no passado e continuará sendo no futuro”, disse o piloto, que chegou a receber vaias neste ano em razão do amplo domínio nas pistas.

 



“O carro ainda está sendo construído, não consegui ver nada de perto. As muitas mudanças no regulamento não deixam a equipe passar muita coisa para os pilotos. Planejar alguma coisa tem sido muito difícil para todo mundo com essas novidades”, justificou o botucatuense de 32 anos em partida de futebol beneficente.


Apesar das incertezas causadas pelas mudanças, o sentimento de Massa é de otimismo para voltar ao caminho das vitórias pela britânica Williams depois de 12 anos como ferrarista.


“A adaptação está sendo muito boa, tranquila. Estamos no início ainda e sabemos que a partir do começo de 2014 teremos mais trabalho duro pela frente”, declarou.



Williams satisfeita


Para a temporada de 2014, ano em que a Fórmula 1 passa por uma grande mudança em seu regulamento e terá a implementação dos novos motores V6 turbo, a Williams decidiu mudar e deixou a Renault para ter a Mercedes como nova fornecedora. Até o momento, ainda que os testes na pista não tenham sido realizados, Claire Williams, chefe da escuderia, se mostrou satisfeita com a troca.


“Isso é ótimo, porque nossas expectativas eram de um nível muito alto, e foi por isso que escolhemos eles. Sabemos quão profissional esse trabalho é e tudo que temos visto desde que assinamos o contrato não mudou nossa percepção”, afirmou Claire em entrevista à revista “Autosport”.


Além do bom trabalho que a Mercedes vem fazendo até o momento, outro fator destacado pela dirigente é a proximidade da Mercedes com a Williams, algo que não existia nos tempos de parceria com a Renault.


“A coisa mais fácil para nós é que tudo está perto, o que faz com que seja mais fácil quando você está tentando trabalhar com ele. Ir à França é uma longa viagem e não necessariamente favorável. Mas agora nossos engenheiros podem correr à Mercedes várias vezes e eles podem vir até nós. Nós estamos muito satisfeitos” completou.


Os primeiros testes da pré-temporada da categoria estão marcados para serem realizados de 28 a 31 de janeiro, em Jerez de la Frontera, na Espanha. Embora esteja confiante de que os motores estarão bem, Claire admitiu que não é possível fazer uma análise até a primeira atividade.


“Estamos [animados], mas eu não sei se alguém realmente sabe onde eles estão com os motores e eu não acho que vamos saber até o primeiro teste. Mas vai ser fascinante para ver onde cada motor está, e espero que a Mercedes seja claramente a melhor no paddock porque isso irá nos ajudar a seguir em frente”, concluiu a dirigente.