09 de julho de 2026
Nacional

Dobra número de praias impróprias em São Paulo


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Para os turistas que se preparam para curtir o sol e o mar do litoral de São Paulo neste verão, a notícia não é muito animadora. O índice de praias paulistas que permaneceram próprias para banho em todas as semanas do ano caiu pela metade entre o ano passado e este ano, de acordo com dados da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb).


Em 2012, 35% das praias monitoradas pelo órgão conseguiram manter a bandeira verde durante todo o ano. Em 2013, esse índice caiu para 15%, segundo informações da companhia.



 

Reprodução

O índice de praias paulistas que permaneceram próprias para banho pela metade

Maiores quedas


Entre os municípios que registraram as maiores quedas estão alguns dos destinos preferidos dos turistas do Estado, como São Sebastião, Bertioga e Ilhabela. No primeiro, o índice de praias consideradas boas ou ótimas pela Cetesb, ou seja, que passaram 100% do tempo próprias, passou de 56%, em 2012, para 10%, em 2013. As badaladas Baleia e Juqueí foram duas das praias do município a saírem da lista de “cinco-estrelas”.


Em Bertioga, o mesmo índice caiu de 44% para 11% no período. Já Ilhabela não teve nenhuma praia considerada ótima ou boa neste ano - no ano passado, a cidade teve 27% de praias nessa condição.


A maioria das praias é avaliada pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental semanalmente. A praia é considerada imprópria quando a água tem índices de bactérias fecais acima do aceitável. O contato do banhista com os micro-organismos pode causar problemas como gastroenterites (inflamação do sistema gastrointestinal) e doenças dermatológicas.

 

Fluxo de pessoas é maior problema

Cetesb e prefeituras apontam três razões para a piora nos resultados: aumento do volume de chuvas neste ano, crescimento populacional no litoral, sobretudo em ocupações irregulares, e rede de coleta e tratamento de esgoto insuficiente. “Tivemos chuvas muito fortes em algumas épocas deste ano. Quando isso acontece, a água vai lavando toda a superfície, levando a sujeira e o esgoto despejado de forma clandestina para o mar”, explica Claudia Lamparelli, gerente do setor de águas litorâneas da Cetesb.


Ela afirma que o órgão já vem advertindo, em seus relatórios anuais, para as consequências do crescimento populacional desordenado no litoral. “Para o saneamento acompanhar esse crescimento é difícil. Em áreas irregulares, a Sabesp não pode instalar rede de coleta e tratamento de esgoto.”


Dados da Fundação Seade mostram que entre 2010 e 2013 as taxas de crescimento médio anual da população de Bertioga, Ilhabela e São Sebastião foram de 3,24%, 1,99% e 1,85%, respectivamente, enquanto a média do Estado foi de 0,87%.


“Não tenho dúvida em dizer que o maior problema é o grande fluxo de pessoas que estão vindo para cá e se instalando de forma clandestina. Hoje, só 46% da cidade tem rede de coleta de esgoto. E em muitos bairros que têm a coleta os moradores não se conectam para não gastar com obras e pagar mais na conta de água”, diz o secretário de Meio Ambiente de São Sebastião, Eduardo Hipólito do Rego.


Segundo Eduardo Rego, a prefeitura tem cobrado a Sabesp por mais investimentos, além de fiscalizar moradores para que façam a ligação com as redes de esgoto.


A Prefeitura de Bertioga também ressaltou o papel da chuva e do esgoto clandestino na piora da qualidade das praias. Em nota, a administração afirmou fazer fiscalização nas casas para checar se elas estão conectadas à rede de coleta. Disse ainda que a Sabesp tem investido na ampliação dos serviços de saneamento. Uma das obras, com investimento de R$ 46 milhões, é para 65 km de redes coletoras e possibilitar 3.722 ligações domiciliares. A Prefeitura de Ilhabela não se pronunciou.



Onda limpa


A Sabesp diz já ter investido, desde 2007, mais de R$ 2,1 bilhões em obras de saneamento no litoral. De acordo com a companhia, o programa Onda Limpa permitiu que o índice de esgoto coletado no litoral norte passasse de 36%, em 2008, para 51%, em 2013. A Sabesp promete ampliar esse número para 71% no ano que vem.