Dois mil e treze aproxima-se do fim e mais do que sonhar e planejar o ano que está por vir devemos pensar um pouco no que construímos e no que destruímos neste ano. Ano de protestos, de um patriotismo juvenil até então inimaginado, ano de honrar os presidentes que foram mortos pela ditadura.
Antes que o badalar dos sinos natalinos amoleçam nossos corações, vamos analisar ceticamente o que vivemos: os protestos começaram a borbulhar pelo país na segunda-feira (24/06/13) e chegaram a sua pressão total na sexta-feira (29/06/13). Nossos telejornais buscaram sociólogos na tentativa de encontrar uma explicação para o que ocorrera no país todo e uma previsão dos possíveis resultados gerados pelas manifestações. Os discursos e entrevistas foram muitos, mas nada respondia a pergunta: por que o gigante acordou? Meses mais tarde, Marina Silva emitiu sua opinião. A ex-senadora disse que a juventude não precisa mais das instituições, e comparou o jovem de hoje a um barco que possui uma âncora e não precisa se apegar a nada para se sentir firme, diferentemente dos jovens de gerações anteriores comparados a barcos sem âncora, que para sentirem-se seguros, necessitavam de um porto.
Os mais atentos já sabem que estamos mergulhados em uma crise de representatividade, além disso, observamos o crescente repúdio dos mais jovens a qualquer tipo de liderança, a qualquer tipo de "politização", repúdio demonstrado pela incessante fuga dos "assuntos políticos". Já não é desconhecido que estamos enfrentando as características do pós-modernismo, tanto positivas quanto negativas.
Tratar de emancipação política tornou-se complicado depois das manifestações, pois a retórica de uma juventude extremista, míope e "revolucionária" transformou-se em uma bandeira geral de todo esse movimento. Não podemos defender a eterna direita, mas essa parcela jovem e "revolucionária" que levantou-se, não sabe como lutar pelos seus ideais. Dizer que a juventude não sabe o que quer, é ser ridiculamente reacionário, pois os jovens sabem o porquê estão protestando, sim. Os motivos são evidentes. Todos sabem que a carga tributária do Brasil é uma das mais altas do mundo, que são desviados bilhões de reais todos os anos dos cofres públicos, que possuímos o direito constitucional de protestar, etc. Tudo bem, e daí? Reconhecer esses elementos já é o suficiente para dizer que acordamos? Não, claro que não! Até porque todas essas verdades são veiculadas pela mídia diariamente.
Portanto, não vemos um conflito de "causa" entre os manifestantes, mas sim uma incoerência de método. Nas aulas de História e Sociologia fomos ensinados que deveríamos brigar pelos nossos direitos, porém não nos instruíram como deveríamos proceder para viabilizar nossos anseios perante o governo. Trocando em miúdos, fomos ensinados a chorar, mas não a compreender como a mamadeira chega até nós, ou ainda, o que fazer quando ela não chegar. A geração atual, educada depois de 1988, já em um Brasil novamente democrático, é a todo momento alertada: "Você, jovem, deve lutar pelos seus direitos, pois muito morreram lutando contra a ditadura." No entanto, como nossa nação caiu nas mãos de uma direta "Democrática" durante os anos 90, a nossa juventude não aprendeu como lutar, apenas foi informada que deveria lutar.
Como a corrupção e a impunidade chegaram a níveis insuportáveis e a grande mídia televisiva tenta levar todo o cenário político ao descrédito, a juventude revoltou-se. Como a mocidade não sabe como, com que métodos, deve-se brigar, lutar contra as decisões, a diversidade de ações aumentou muito, e isso não quer dizer pluralidade política, e sim desorganização. Sejamos sensatos, devemos questionar as decisões, não o sistema político, pois vivemos em uma democracia estabilizada institucionalmente, se o sistema financeiro produz os abismos sociais, não é contra o sistema político que devemos lutar e sim contra o financeiro.
O jovem necessita de entender como funciona o Estado para lutar pelos seus diretos, mas para isso é necessário acreditar em sua nação e ver os inescrupulosos como inimigos do país, e não ver o governo como seu inimigo, até porque nós somos o Brasil! Existem dois fatores fundamentais que se utilizados juntos gerarão a tão sonhada "renovação política". O primeiro deles é a pressão popular, como o ex-senador Sólon Borges dos Reis versou: "Mais forte que a voz do rei, é a voz do homem na rua".
O segundo é a "atuação política". Mas o que é atuação política? Atuar politicamente é abordar os temas de um modo um pouco mais apurado, não é criar desculpas esfarrapadas para explicar a inércia do governo, e sim aprender a dominar o sistema constitucionalmente lindo que possuímos. Atuar politicamente é entender o líder que você elegeu, é respeitá-lo e estar presente quando ele precisar de apoio popular para concretizar suas ideias. É atuar politicamente, questionando quando suas atitudes forem infelizes, e pressionando-o para agir sempre em favor da população e, se necessário, arrancá-lo do poder. É essencial ressaltar que todas essas atitudes, até mais mais revolucionárias, devem ser tomadas sem perder de vista os nossos princípios democráticos.
Que em 2014, ano que ensejará grandes capítulos da História brasileira, nós possamos agir de modo a melhorar nossa nação e também nossa amada Bauru.
O autor, Lucas Faccin Basso, 19 anos, é estudante de História na USC e foi o candidato a vereador