11 de julho de 2026
Nacional

RS reestatiza rodovias privatizadas há 15 anos


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Foram encerradas ontem as atividades das últimas praças de pedágio no Rio Grande do Sul concedidas em 1998. A partir de agora, três polos com dez praças serão suspensos e dois, com cinco postos de cobrança, repassados à recém-criada Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR). As estradas estaduais estão sendo devolvidas ao Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), enquanto as federais, ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit).


Os motoristas que passaram por essas estradas desde domingo encontraram cancelas levantadas. Os pedágios só devem ser cobrados novamente a partir do dia 6 nos polos de Gramado - nos trechos Gramado-Taquara (ERS-115), Gramado-Nova Petrópolis (ERS-235) e São Francisco de Paula (ERS-235) - e Metropolitano - Santo Antônio da Patrulha (ERS-474) e Viamão-Pinhal (ERS-040). A cobrança será feita pela EGR.


Já nos polos de Carazinho - nos trechos Carazinho-Soledade (BR-386), Carazinho-Sarandi (BR-386), Carazinho-Passo Fundo (BR-285) e Carazinho-Panambi (BR-285) - de Vacaria -Vacaria-divisa com SC (BR-116), Vacaria-Campestre da Serra (BR-116) e Vacaria-Lagoa Vermelha (BR-285) - e Metropolitano - Guaíba-Camaquã (BR-116), Eldorado-Arroio dos Ratos (BR-290) e Pantano Grande (BR-290) - as cobranças foram suspensas e as estradas devolvidas à União.


Conforme levantamento da Agência Reguladora dos Serviços Delegados do RS (Agergs), as concessionárias arrecadaram R$ 5,5 bilhões em 15 anos. Destes, R$ 3,06 bilhões foram investidos nas rodovias e R$ 2,44 bilhões foram usados para gasto com funcionários, impostos, equipamentos e revertidos em lucro.


O governador gaúcho Tarso Genro fez nesta segunda-feira duras críticas ao antigo regime de concessão. “Aqui temos um exemplo dos problemas daquele sistema de pedágio. Milhões de reais circulavam nesta praça e não havia sequer o compromisso de fazer acostamento.”


O presidente da Associação Gaúcha de Concessionárias de Rodovias (AGCR), Egon Schunck Júnior, rebateu as críticas. “O discurso do governo é político e ideológico. No RS, ao contrário do resto do mundo, a opção é a estatização.”


Schunck fez um balanço positivo do papel das concessionárias. “Embora não tenhamos recebido apoio do Estado, que em sucessivos governos descumpriu contratos, fizemos investimentos pesados e criamos mais de 30 mil empregos.”