08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Eu respondo


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Manchete do Jornal da Cidade de 4 de dezembro de 2013: "Até Quando? Mais uma vez, morte na lagoa". A lagoa da Quinta da Bela Olinda é famosa pelas vidas que ali se ceifaram e não que foram ceifadas. Onde a inteligência e o bom senso (dois fatores que se completam) imperam, a possibilidade de um acidente é zero. O problema não está nas águas, mas sim nas suas margens. O problema não está na sua profundidade, nem nas suas saliências e reentrâncias, mas sim na falta de responsabilidade de quem se atira na água sem saber nadar, sem ter convicção daquilo que vai enfrentar.

O fundo dos oceanos não é plano, mas cheio de abismos, montanhas, serras, precipícios, saliências e todas as formas de acidentes geográficos que temos na superfície, e nem por isso o navio afunda. Não precisa ser muito inteligente para saber que quanto maior a profundidade maior será a segurança. Por quê? O grande matemático, engenheiro, inventor e físico grego Arquimedes de Siracusa (287 aC ? 212 aC), portanto há aproximadamente 2.200 anos, disse, calcado em sua sabedoria e experiências que: "Todo corpo mergulhado em um líquido sofre um impulso de baixo para cima, cujo valor numérico é diretamente proporcional ao volume líquido deslocado". Então, não são a fundura nem o lodo do fundo da represa culpados pelos afogamentos frequentes que ali ocorrem.

O que ocorre é uma falta de conscientização e falta de percepção daquilo que está manifesto, claro, patente e que só não enxerga quem não quer enxergar ou por pessoas desprovidas dos mais elementares conhecimentos de procedimentos banais. A falta de cultura, de educação vinda do berço, de respeito para consigo mesmo são fatores preponderantes para acontecimentos nefastos. Quando os pais modernos estiverem mais atentos às companhias de seus filhos, aos locais frequentados por seus filhos, às horas de seus filhos chegarem às suas casas, ao acompanhamento da vida escolar de seus filhos, aos procedimentos de seus filhos dentro e fora do lar, muitos problemas de graves consequências deixarão de acontecer.

Muitos pais enclausurados em seus comodismos e alheios ao comportamento dos filhos afastam-se da educação deles e, involuntariamente, permitem que acreditem que estão agindo correta e sensatamente, quando a realidade é outra. Haja vista o que acontece frequentemente nas escolas. Se a criança é punida, lá vão pai e mãe tirar satisfação com professores e diretores achando que seus santinhos estão sempre certos sem se conscientizarem de que estão criando serpentes que lhes causarão todos os tipos de sofrimentos ao se tornarem adultos.

Neste mundo pelo avesso, em mutos lares os filhos falam e os pais obedecem, pois perderam a voz de comando, alheados que foram à educação que as crianças exigiam quando crianças. Depois de se tornarem adultos, fica difícil educá-los. Não coloquem a culpa em Rodrigo Agostinho e nem em quaisquer autoridades; olhem para dentro de si mesmos e reconheçam-se culpados. Criança tem que ser educada com carinho, respeito e severidade.

Edson de Oliveira