09 de julho de 2026
Esportes

Atletismo: adivinha?


| Tempo de leitura: 5 min

Mais um capítulo da supremacia queniana na Corrida Internacional de São Silvestre foi escrita ontem de manhã nas ruas de São Paulo. Líder absoluta a partir da segunda metade da prova, Nancy Kipron conquistou seu primeiro título com o tempo de 51m58s. Minutos depois, o compatriota Edwin Kipsang cruzou a linha de chegada em 43m48s para confirmar o bicampeonato entre os homens – ele ainda esteve acompanhado de outros dois quenianos. Entre os brasileiros, Sueli Silva, em sexto entre as mulheres, e Giovani dos Santos, em quarto, foram os melhores colocados.


No masculino, campeão em 2012, Kipsang venceu novamente com o tempo de 43min48s (extra-oficial). Mark Korir e Stanley Koech completaram o trio de quenianos, seguidos por Giovani dos Santos. O pódio da São Silvestre foi completado pelo marroquino Abderrahime.


Nos primeiros quilômetros da corrida, alguns competidores brasileiros se revezaram na primeira colocação, como Carlos Santos, Ederson Pereira e Wellington Silva. Com tranquilidade, os maiores favoritos compuseram um pelotão e passaram a dosar o ritmo de corrida.


Principal esperança do Brasil na prova, Giovani dos Santos procurou se manter entre os africanos.


Mas, com autoridade, Kipsang construiu uma vantagem segura e, controlando o próprio tempo no relógio de pulso, olhou para atrás antes de virar à direita na Avenida Paulista e acelerou ainda mais para cruzar a linha de chegada.



Primeira vez


Nancy Kipron havia chegado à São Silvestre na condição de favorita em algumas oportunidades sem conseguir corresponder à expectativa – uma “barreira psicológica” com a prova, de acordo com seu técnico. A história mudou ontem, com uma vitória tranquila da queniana na tradicional corrida de rua de São Paulo.


Nancy se desgarrou das concorrentes por volta do décimo quilômetro, e completou o percurso em 51min58. A etíope Kebede Gudeta chegou a encurtar um pouco a diferença no fim da Brigadeiro, mas não conseguiu ameaçar de fato a líder, fechando a prova em 52min06. Vinte segundos depois, cruzou a linha final a queniana Jackeline Sakilu.


A campeã, que treina em Nova Santa Bárbara, no interior do Paraná, já havia sido a primeira colocada em outras provas relevantes do Brasil, como a Volta da Pampulha e a Meia Maratona do Rio de Janeiro. Faltava um triunfo na São Silvestre, corrida na qual ela chegou a chorar em 2011 e foi só a 8.ª colocada em 2012.



Jejum


Com mais uma vitória africana na Corrida Internacional de São Silvestre, o jejum de competidores brasileiros na prova aumenta, já que o último local a vencer foi Marílson Gomes dos Santos, em 2010.


No feminino, o jejum das brasileiras é ainda maior, já que venceram pela última vez em 2006, com Lucélia Peres. A nova tentativa de encerrar o período sem vitórias acontecerá em 31 de dezembro deste ano, quando a corrida completará nove décadas de edições ininterruptas.

 

Festa da largada reúne de ‘Papa pop’ a Fulecos

Antes da largada da 89ª edição da corrida de São Silvestre quem faz a festa na Avenida Paulista são os corredores anônimos. Enquanto o pelotão de elite chega para a prova poucos minutos antes da largada e fica se aquecendo em uma rua reservada, os 27.500 inscritos (recorde da corrida) chegam à Paulista horas antes do início da prova e se divertem antes de correrem os 15 km.



Números


O locutor que tentava animar os corredores e entreter a torcida antes da largada se confundiu várias vezes em relação à forma de dizer que esta é a 89ª edição da corrida. “Octanônima” era a palavra mais comum que ele utilizava antes de ser corrigido (duas vezes e para todos ouvirem nos alto-falantes) e passar a utilizar a maneira correta de dizer o numeral: octogésima nona.



Papa pop


O corredor fantasiado que mais fez sucesso foi o papa Francisco. Utilizando um “papa móvel” de papelão em torno do corpo, Francisco foi o mais fotografado antes da largada.



Fulecos


Várias fantasias se repetem ano após ano na São Silvestre. A noiva, o cangaceiro, índios, Ayrton Senna, entre outros, estavam na largada novamente neste ano. A novidade ficou por conta do Fuleco. Mas a escolha não foi exclusiva de um atleta. Ao menos dois corredores estavam fantasiados como a mascote da Copa do Mundo de 2014.



Fura Fila


Nem tudo é festa e tranquilidade antes da largada. Como alguns atletas chegam até duas horas antes do início da prova, estes conseguem ficar mais à frente no momento da largada. Assim, alguns que chegam mais próximos do horário da largada tentam furar a fila. Na verdade, pular ou passar por baixo das grades que separam o público dos corredores. Quando viam, os responsáveis pela segurança e organização faziam com que os atletas mais atrasados fossem para o fim da fila.



Trânsito


Nem mesmo em dia de São Silvestre a Paulista ficou sem congestionamento. As maiores filas eram na saída do metrô e para utilizar os banheiros químicos.



Protesto


O único protesto visto na Paulista foi de um torcedor da Portuguesa, com cartaz, reclamando do rebaixamento da equipe no Campeonato Brasileiro depois de julgamento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

 

Breve história da prova

A primeira São Silvestre aconteceu em 1925, e contou apenas com a participação de atletas paulistanos. Alfredo Gomes completou o percurso de 6.200m em 23m10s e sagrou-se campeão. Segundo dados da organização, foram 146 participantes, destes, apenas 60 completaram.


Com o crescimento da prova, aumentou o interesse e vieram os primeiros competidores do Interior e outros Estados, o que deixou a corrida mais competitiva, ano a ano.


Por 16 anos, a festa da corrida do último dia do ano foi reservada aos atletas de São Paulo. A supremacia paulista só foi quebrada quando o mineiro José Tibúrcio dos Santos saiu vitorioso em 1941 - ele fez os 7 mil metros em 22m12s.


Com a presença de convidados sul-americanos, em 1945, a competição passou a se chamar Corrida Internacional de São Silvestre. Mas a vitória ainda foi brasileira, com Sebastião Alves Monteiro. Ele repetiu o feito no ano seguinte, deixando para o uruguaio Oscar Moreira a honra de ser o primeiro estrangeiro a vencer a prova, em 1947.


A disputa feminina foi criada em 1975, em homenagem ao Ano Internacional da Mulher. O título da pioneira corrida ficou com a alemã Christa Vahlensieck, que cruzou a linha de chegada com o tempo de 28min39s.