10 de julho de 2026
Articulistas

Neblina e fumaça nas rodovias

Augusto Francisco Cação
| Tempo de leitura: 4 min

Nas rodovias, a neblina é um fator prejudicial à visibilidade do motorista, podendo inclusive provocar acidentes. Apesar de ser um fenômeno natural, a formação da neblina quase sempre é previsível. O horário de formação de neblina é das 4h às 8h, período em que os cuidados devem ser redobrados. A neblina que se forma em baixadas e que aparece em noites claras, sem nuvem e sem vento, normalmente é frequente entre os meses de maio a setembro. Já a neblina que se forma em regiões serranas acontece durante todo o ano, tanto de dia como de noite. A neblina nada mais é do que uma nuvem em contato com o solo, em que o vapor de água resfria e condensa, diminuindo a visibilidade. Esse fenômeno também é conhecido como nevoeiro e é comum em lugares frios, úmidos e elevados. Pode ocorrer, também, devido à proximidade de corpos de água, ou pela influência de uma frente fria. O surgimento da neblina nas regiões de serra é decorrente da água evaporada do mar, transformada em vapor e que tende ser arrastada para a atmosfera. Devido à serra, o vapor de água sofre um resfriamento, condensa-se e dá origem à neblina. Já nas regiões de rios e lagos o calor faz com que a água se evapore, sendo que parte do vapor fica perto da superfície e, com o anoitecer (ou devido uma frente fria), o vapor de água se resfria e condensa, ocasionando também a neblina. Nos vales, deve-se tomar igual cuidado, pois costuma haver neblina noturna.

Chamada de "cerração", "névoa", "nevoeiro" ou "ruço" a neblina confunde muita gente, sobre o que é uma coisa ou outra. Para a maioria dos estudiosos, a diferença está na visibilidade. O fenômeno é chamado neblina (cerração ou névoa), se a visibilidade for superior a um quilômetro, e nevoeiro (ou ruço), se a visibilidade for inferior a um quilômetro. Ao contrário da fumaça, a neblina não é tóxica. Mas o que realmente importa é que, independente do nome, esse fenômeno natural coloca em risco a viagem e a integridade física dos ocupantes do veículo, pois nessas condições a visibilidade é reduzida, o pavimento fica úmido e escorregadio e o controle do veículo se torna difícil. Deve-se estar atento às placas e painéis nas rodovias que indicam os locais de incidência de neblina. Podendo evitar, não se deve entrar na neblina, uma vez que o condutor não sabe qual é a sua extensão e nem a sua intensidade. Caso não exista alternativa, ao se deparar com uma dessas situações, deve-se imediatamente acender a luz baixa (ou o farol de neblina), aumentar a distância do veículo à frente, redobrar a atenção e reduzir a velocidade até que haja mais segurança. Não se deve usar farol alto, porque ele reflete a luz nas partículas de água, reduzindo ainda mais a visibilidade.

No interior da neblina, está previsto no Código de Trânsito Brasileiro que o condutor poderá utilizar o pisca alerta, em imobilizações ou situações de emergência (art. 40, inc. V, letra "a"). Entretanto não é aconselhável se utilizar desse artifício com o veículo em movimento, pois muitos motoristas ainda acreditam que o pisca alerta só pode ser utilizado com o veículo parado (o que não condiz com o texto legal, uma vez que a situação de emergência pode ocorrer com o veículo em movimento). Ao invés de transitar com o pisca alerta ligado, a sugestão é seguir viagem com a seta para a "esquerda" ligada, o que vai tornar o veículo mais visível, além de chamar a atenção do motorista que segue à retaguarda e a do que vem em sentido contrário. No mínimo, ele vai sinalizar, piscando os faróis e imaginar o que vai fazer. Nunca se deve ultrapassar nessa situação! Também, não se deve utilizar a seta para a direita, pois isso pode induzir o motorista da retaguarda a realizar uma manobra arriscada, caso ele acredite que o outro condutor irá sair da pista.

Caso a intensidade do fenômeno aumente e a dificuldade em continuar trafegando se torne ainda mais arriscada e perigosa, deve-se parar em local seguro, como um posto de abastecimento ou uma entrada de fazenda, evitando o acostamento, pois, mesmo parado, pode ocorrer um acidente. Parar no acostamento somente em último caso, retirando todos do interior do veículo e acionando o pisca alerta. Em alguns lugares, o tempo demora a ficar limpo. Todo cuidado é pouco para quem trafega nessas vias! A fumaça produzida pelas queimadas nas margens das rodovias também provoca a redução de visibilidade. Além disso, a fuligem pode reduzir a aderência do piso. Da mesma maneira que ocorre na neblina, não é aconselhável entrar na "cortina" de fumaça e, caso não existam alternativas, deve-se proceder da mesma forma como se estivesse na neblina. Boa viagem!

O autor, Augusto Francisco Cação, é coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo, mestre em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, especialista em Gestão e Direito de Trânsito e bacharel em Direito