08 de julho de 2026
Cultura

Fé em alta

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

Renan Casal

Grupo Folia de Reis de Bauru luta pela sobrevivência e para disseminar festejos

Pedir por proteção, paz, sabedoria e fé em Jesus para o ano que se inicia. Esses são alguns dos desejos do Grupo Folia de Reis de Bauru, que também aproveita o início de mais um ano para pedir mais apoio à sua festividade, realizada, tradicionalmente, todo dia 6 de janeiro, dia em que os três Reis Magos - Belquior, Baltazar e Gaspar - levaram presentes a Jesus Cristo.

Neste ano, não será diferente, mas o grupo vai dividir a festividade em dois dias – hoje e amanhã. Neste domingo, haverá cortejo com cantoria partindo às 8h da quadra 6-87 da rua José Samogim, no Jardim Prudência. Já na segunda-feira, o grupo sai do bairro Nova Esperança, na quadra 10 da rua Sargento José dos Santos às 9h. Neste dia, além do cortejo, haverá parada na Paróquia Santa Clara. E a festividade termina com o tradicional almoço aberto à comunidade, que será realizado na quadra 1-60 da rua Marcelo Mariuzzo, Núcleo Bauru 16, por volta do meio-dia.

O cardápio contará com macarronada, farofa, frango e refrigerante. São esperadas pelo menos 200 pessoas. Para poder servir a todos, o Grupo Folia de Reis ainda está em fase de arrecadação de donativos. Quem quiser colaborar, pode doar pacotes de macarrão, refrigerantes, frango e farofa (leia Serviço).


Origens portuguesas

De origem portuguesa, a Folia de Reis é um festejo ligado às comemorações do culto católico do Natal. Fixado o nascimento de Jesus Cristo em 25 de dezembro, adotou-se a data da visitação dos Reis Magos como sendo o dia 6 de janeiro.

Sabe-se que a tradição da “Folia de Reis” chegou ao Brasil por intermédio dos portugueses, ainda no período da colonização.

Hoje, o festejo mistura-se com manifestações folclóricas de muitas regiões do País. Essa manifestação cultural era realizada em toda a Península Ibérica e era comum a ocorrência de doação e recebimento de presentes enquanto eram entoados cantos e danças nas residências da época. Baseado nessa argumentação, a Folia de Reis teria vindo ao Brasil no século XVI, próximo ao ano de 1534, trazido pelos jesuítas, e servindo como um instrumento na catequização dos índios e, posteriormente, dos negros escravos.

Para colaborar com doações de alimentos, basta entrar em contato com o Grupo Folia de Reis de Bauru pelos telefones (14) 3218-1567 e (14) 99116-9846


Luta pela sobrevivência

Sendo um dos únicos remanescentes do Interior do Estado, o que ressalta ainda mais sua necessidade de preservação e valorização, o Grupo Folia de Reis de Bauru luta pela sua sobrevivência e para disseminar seus festejos. Mas falta apoio.

Segundo o líder do grupo, “seo” Antônio Correia, é preciso mais incentivo e patrocínio para que o grupo faça mais apresentações, inclusive fora de Bauru. “Já recebemos convites para nos apresentar em Ribeirão Preto, recentemente, mas não temos condições financeiras”, alegou.


O Cortejo da Folia

Os instrumentos utilizados durante a caminhada são, além da viola, o violão, a sanfona, o reco-reco, o chocalho, o cavaquinho, triângulo, pandeiro e outros. Os personagens - mestre, contramestre, três Reis Magos, palhaço e foliões - trajam roupas coloridas. A bandeira dos Santos Reis acompanha toda a “procissão”.

Muitos dos participantes aparecem com seus terços enrolados nos punhos. Dançam, cantam e se emocionam com cânticos improvisados por “seo” Antônio, que relatam o nascimento de Jesus e a visita dos Reis Magos. Com mais de 70 anos, “seo” Antônio participa e organiza há pelo menos 60 anos os eventos ligados à data. E faz questão de ensinar e repassar a tradição para seus filhos e netos, que também integram o grupo e participam anualmente dos festejos.