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João Rosan/Reprodução |
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A vítima José Maria Gonçalves de Godoy |
Num dos inícios de ano mais violentos de sua história, Bauru já contabiliza três homicídios nos primeiros seis dias de 2014. O mais recente foi registrado na madrugada de ontem, quando o pedreiro José Maria Gonçalves de Godoy, 41 anos, foi morto a facadas, possivelmente por um vizinho com quem vinha se desentendendo há alguns meses devido à construção irregular de um imóvel.
No dia 1º de janeiro, um homem de 24 anos também foi morto por motivo fútil. Outro assassinato ocorreu na noite do dia 2, quando um reeducando do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) 2 beneficiado com a saída temporária de Natal morreu na região central da cidade, com um tiro na cabeça. A frequência com que crimes desta natureza vêm sendo registrados já preocupa a polícia (leia mais abaixo).
No homicídio de ontem, ocorrido no bairro Pousada da Esperança 2, o principal suspeito de matar José Maria é seu vizinho, o mecânico Rubens Inácio Bononi Junior, 24 anos, que não possuía antecedentes criminais. Contra ele, pesava apenas um boletim de ocorrência por ameaça, registrado pela vítima em outubro do ano passado (leia mais abaixo).
Na madrugada de ontem, segundo relatou à polícia a filha de José Maria, de 18 anos, seu pai teria se desentendido novamente com Rubens porque este teria invadido uma faixa de 40 centímetros de largura de seu terreno. No espaço, que fica no cruzamento entre as ruas Ramiro Vieira e Takuji Takenaka, o mecânico ergueu uma das paredes de sua casa e parte de um muro.
Segundo vizinhos, a discussão teria começado após José Maria quebrar o trecho do muro que estava sobre seu lote. De acordo com a filha do pedreiro, seu pai já havia quebrado a mesma construção em outras oportunidades.
Gritos
Por volta da meia-noite, gritos foram ouvidos e a jovem – que mora em um imóvel próximo – foi até a casa do pai, mas não o encontrou. Quando passou em frente à casa de Rubens, viu o vizinho saindo em uma motocicleta, carregando uma faca.
Acionada, a Polícia Militar (PM) realizou buscas pelo bairro e encontrou o corpo de José na quadra 5 da rua João Dario, a cerca de cem metros de distância das casas dos envolvidos na briga. O pedreiro havia sido golpeado por diversas vezes e morreu antes mesmo de ser socorrido.
A faca que provavelmente foi utilizada para cometer o crime foi encontrada com marcas de sangue na quadra 1 da rua Ramiro Vieira, a duas quadras de distância de onde moravam José e Rubens. “A arma foi reconhecida pela filha da vítima como sendo a mesma que o Rubens carregava quando fugiu e foi apreendida para análise do Instituto de Criminalística”, detalha o delegado da Central de Polícia Judiciária (CPJ), Kleber Granja.
Procurada pela reportagem, a jovem não atendeu às ligações telefônicas e não foi encontrada em casa. José foi velado no Velório Municipal e sepultado às 16h30 de ontem, no Cemitério Cristo Rei.
Até o final da tarde, Rubens ainda não havia sido localizado. Entre ontem e hoje, a Polícia Civil deveria pedir sua prisão temporária, por 30 dias.
Alto grau de violência preocupa
A quantidade atípica de homicídios registrada na primeira semana de 2014 já é motivo de preocupação para a polícia. Somente nos primeiros seis dias do ano, foram três assassinatos, média bem superior à registrada no ano passado – que foi de um homicídio a cada dez dias – ou mesmo em 2012, quando uma morte a cada oito dias foi contabilizada.
“Em 2014, foram três crimes qualificados, sendo ao menos dois por motivo fútil. Há uma banalização da violência, em que o cidadão entende que praticar um homicídio é a melhor saída para tentar resolver problemas relativamente simples”, analisa o delegado Kleber Granja, que garante que a Polícia Civil irá se esforçar para solucionar os casos rapidamente, para afastar qualquer sensação de impunidade.
Para o psicólogo Cláudio Márcio Salviano, dentro da competitiva e estressante sociedade contemporânea, qualquer pessoa está sujeita a rompantes de violência, embora as que já possuem histórico criminal e algum transtorno de personalidade sejam mais propensas.
“Hoje, não é raro encontrar pessoas com a Síndrome de Burnout, que atinge trabalhadores cada vez mais pressionados pela eficiência exigida pelo mercado de trabalho”, resume.
A insatisfação constante, o imediatismo e o consumismo próprios da sociedade atual (em que o “ter” se sobrepõe ao “ser”) também contribuem para o aumento do nível de intolerância e impulsividade, segundo Salviano, o que interfere diretamente nas relações interpessoais. “Então, ocorre o que o (teórico da psicologia) Goleman chama de sequestro emocional. O sujeito “explode” e comete uma grande besteira que acaba com tudo aquilo que ele pensava para sua vida”, pontua.
Ainda de acordo com Salviano, quase sempre as pessoas estressadas emitem diversos sinais antes de tomar uma atitude extrema de violência. Por este motivo, a melhor orientação é que amigos e parentes fiquem atentos e, sempre que necessário, busquem ajuda especializada.
Outros casos
Conforme o JC publicou, Bauru já registrou três homicídios em 2014. O primeiro caso aconteceu no dia 1º de janeiro. Luiz Gustavo Maciel, 24 anos, morreu após ser esfaqueado pelo marceneiro Rafael Zacarias, 33 anos, devido à falta de pagamento por um serviço prestado. O crime ocorreu por volta das 4h45, na quadra 4 da rua Aurélio Duarte, na Vila Ipiranga. O autor, que é marido de uma prima da vítima, ainda não foi capturado.
Já o segundo homicídio aconteceu na noite do dia 2 de janeiro, na quadra 4 da rua Celio Daibem, na área central da cidade. César Augusto Gonçalves, de 27 anos, que era reeducando do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) 2 beneficiado com a saída temporária de Natal, foi morto com um tiro na cabeça. O motivo do crime ainda é investigado e autor continua foragido.
Legítima defesa?
A Polícia Civil ainda tenta esclarecer se Rubens Inácio Bononi Junior, 24 anos, agiu em legítima defesa, hipótese que ainda não foi descartada, já que José Maria Gonçalves de Godoy possuía passagens pela polícia por tentativa de homicídio. Em uma delas, registrada em 2009, José golpeou o peito de um homem com uma faca após uma briga.
“Ele foi preso em flagrante e condenado por este crime, inclusive, que também foi por motivo fútil. Já o Rubens não tem nenhuma condenação ou antecedentes por crimes graves. Ele pode ter agido em legítima defesa, mas é uma possibilidade que ainda será investigada”, comenta o delegado Kleber Granja.
Vítima já havia registrado BO por ameaça
Em 17 de outubro do ano passado, José Maria Gonçalves de Godoy registrou boletim de ocorrência relatando que havia sido ameaçado por Rubens Inácio Bononi Junior no dia anterior. Segundo ele, o vizinho teria construído uma valeta que canalizava a água em direção a seu terreno, o que o motivou a procurar Rubens para reclamar.
Durante a discussão, o vizinho o teria jurado de morte e esta não seria a primeira vez que José teria sido ameaçado. No dia 18, no entanto, Rubens também procurou a polícia para registrar boletim de ocorrência por furto e perturbação do sossego.
Ele relatou que José estaria criando desavenças desde maio do ano passado. Também contou que teria se disposto a comprar a faixa de 40 centímetros de largura que invadiu do terreno do vizinho, mas não houve acordo.
À polícia, Rubens também disse que, durante os meses de briga, José já havia danificado a cerca de arame de sua casa, a caixa e o cano de esgoto, além de ter furtado 400 tijolos de sua construção. “Com a confirmação do Rubens como principal suspeito, a motivação do crime, que é absurda, fica bastante clara”, destaca o delegado Kleber Granja.
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Malavolta Jr. |
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Construção irregular teria sido o motivo da desavença |