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Jim Young/Reuters |
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Névoa causada pela massa polar vinda mar ártico cobre o lago Michigan, em Chicago |
Uma massa de ar polar vinda do Ártico provocou temperaturas baixas recordes ao atingir o leste dos Estados Unidos ontem, provocando o cancelamento de milhares de voos, a elevação dos preços da energia e a superlotação nos abrigos para sem-tetos.
Dezesseis mortes já foram registradas, segundo a CNN, desde que a massa de ar ártico atingiu a América do Norte no fim de semana, produzindo as temperaturas mais baixas em duas décadas.
A baixa temperatura bateu recorde no Central Park, em Nova York, para esta época - 16ºC negativos - , foi temperatura mais baixa em 118 anos, segundo o “New York Times”, ultrapassando o recorde de 1896, de -14,4ºC, mas com as rajadas de vento de 51 quilômetros por hora, a sensação era de um frio ainda maior, segundo o Serviço Nacional de Meteorologia.
As autoridades emitiram alertas sobre ventos frios ou baixas temperaturas para metade dos EUA. As condições congelantes estão prejudicando o transporte rodoviário, ferroviário e aéreo.
A expectativa é de que as temperaturas fiquem entre 14 e 19ºC abaixo do normal do Meio-Oeste ao Sudeste do país, de acordo com o serviço meteorológico.
Em Nova York e na capital, Washington, os abrigos para sem-teto e outros edifícios públicos receberam pessoas que estavam congelando nas ruas.
Na capital americana, em calçadas vazias, sorveterias e cafés colocaram placas na porta com “aqui se serve chocolate quente” e bicicletários do programa de compartilhamento de bicicletas permaneceram cheios.
À tarde, as temperaturas melhoraram em boa parte do país. Em Chicago, os termômetros chegaram a -3ºC e em Minneapolis, a -5ºC (mais cedo, ambas as cidades passaram de -20ºC).
“Minhas mãos estavam congeladas, pareciam picadores de gelo. Vim para cá para aquecer minhas mãos, aqui eu as coloquei sob água quente”, disse Mike Smith, de 48 anos, um sem-teto que estava cochilando no lobby da Martin Luther King Jr. Memorial Library, em Washington.
Grandes cidades dos EUA estão com temperaturas abaixo do ponto de congelamento, como é o caso de Chicago, com menos 2ºC, Detroit, com menos 21ºC, Pittsburgh, com menos 17ºC e Boston, menos 9ºC.
A onda de frio pode custar à economia dos EUA até US$ 5 bilhões, por perda de produtividade e redução das vendas no varejo, estimou o vice-presidente sênior da Planalytics, Evan Gold, que faz acompanhamento do clima para empresas.
Ele disse que cerca de 200 milhões de pessoas nas grandes cidades podem ter um choque ao receber as contas de energia, o poderia levá-las a cortar outros gastos nos próximos meses.
“Nossos funcionários andaram pela vizinhança para se certificarem de que todas as pessoas estivessem cientes de que poderiam passar a noite aqui”, disse James Winan, chefe de desenvolvimento na Bowery Mission.
Autoridades de Washington abriram bibliotecas, centros de recreação e outros espaços públicos para as pessoas se aquecerem, em meio a temperaturas que caíram para 14 graus negativos.
A onda de frio intenso provocou debates entre conservadores do país, que negam as mudanças climáticas.
Um senador de Oklahoma perguntou hoje no plenário “aonde está o tal aquecimento global?”. Apresentadores da rede de notícias Fox News fizeram a mesma pergunta ao longo do dia.
As temperaturas devem voltar a subir amanhã.