Estão em fase de licitação as obras de construção de dois viadutos em Bauru que cruzarão sobre a malha férrea que corta a área urbana do município. Um será erguido na avenida Comendador José da Silva Martha, zona sul da cidade, e o outro na rua Waldemar Pereira da Silva, próximo à ponte Ayrton Senna, que liga o Mary Dota ao Distrito Industrial 1.
O orçamento do primeiro está estimado em R$ 10.047.063,30. O segundo deve custar R$ 3.126.609,08, totalizando mais de R$ 13 milhões em investimentos federais. A licitação e a fiscalização da obra são de responsabilidade da superintendência de São Paulo do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), vinculado ao Ministério dos Transportes.
A abertura dos envelopes com as propostas de preço das empreiteiras interessadas em executar as obras está marcada para o dia 17 de fevereiro. Apesar do provável início dos trabalhos no primeiro semestre deste ano, a obra deve ser entregue apenas em meados de 2015. Após os trâmites burocráticos e a ordem de serviço, a empresa vencedora da concorrência terá 18 meses para concluir o serviço.
A construção dos viadutos é uma demanda antiga. Em 2007, o então deputado federal José Paulo Tóffano articulou a aprovação do projeto da Comendador junto ao Dnit. À época, a insegurança nas passagens de nível também já era questionada pelo Ministério Público.
A demanda foi assumida pelo deputado federal Milton Monti (PR). O parlamentar alega que a viabilização da obra foi viabilizada por emenda ao Orçamento da União de sua autoria.
“A proposta destinava recursos para adequações nos trechos rodoviários de Botucatu a Bauru. Uma licitação só pode ser aberta se há previsão orçamentária”, explica.
No dia 29 de agosto, deputado, junto a lideranças da região, se reuniu com o ministro dos Transportes César Borges, que autorizou o andamento dos processos para garantir a construção dos viadutos.
“São viadutos bem grandes e extensos, até porque os trens vão passar por baixo deles. O da avenida Comendador, por exemplo, vai encobrir praticamente toda aquela praça que existe lá”, diz o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). O município deve arcar com o custo referente a eventuais desapropriações.
Concessão
O prefeito Rodrigo Agostinho afirma que, apesar da conquista, é fundamental que o município cobre obras como essas nas outras passagens de nível de Bauru, não apenas do governo federal, mas também com investimentos da América Latina Logística.
Para o peemedebista, a União tem o dever de rever os contratos de concessão das linhas férreas. “Uma coisa que fica muito clara para todos é a falta de investimentos da ALL no setor. As contrapartidas precisam existir”, pontua.
Impacto
Daqui a três ou quatro anos, a previsão é de que o tráfego de trens em Bauru cresça 2.700% para garantir o escoamento fruto da possível exploração do minério de ferro em Corumbá (MS) até o Porto de Santos, no litoral de São Paulo.
Atualmente, passam pela cidade 1 milhão de toneladas do material ao ano. Esse número deve chegar a 27 milhões de toneladas.
“Por conta disso, a construção desses viadutos era inevitável, mas não será suficiente porque o trânsito vai ser muito interrompido, gerando riscos de colapso”, pontua o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).
Por conta disso, a ALL contratou estudo de viabilidade para a construção de um anel ferroviário, que tiraria o tráfego das locomotivas da área urbana. A obra, no entanto, custaria mais de R$ 1 bilhão. “Nosso desafio, agora, é tentar fazer com que o governo federal contrate um projeto executivo ou, pelo menos, um bom projeto básico para esse anel”, observa o peemedebista.