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Moradores do Mirante da Colina tiveram problemas agravados |
O problema já resultou até em protesto com fogo na rodovia Bauru-Iacanga no dia 27 de dezembro. Mas a falta de água nas unidades do residencial Mirante da Colina, construídas pelo programa habitacional Minha Casa Minha Vida, só se agravou. Se antes a água era escassa, agora ela inexiste nas torneiras de 240 famílias que vivem no local. A situação já se arrasta por três dias.
O Departamento de Água e Esgoto (DAE) tenta amenizar o sofrimento dos moradores, que têm renda mensal de até três salários mínimos, por meio de caminhões-pipa. No entanto, os dois levados ao condomínio às 13h de ontem não foram suficientes para garantir água a todos.
“Eu já não sei mais o que fazer. Às vezes sai água da torneira aqui do estacionamento, que vem da rua. Hoje, nem isso aconteceu. Toda água que veio com os caminhões acabou em meia hora. Desde dezembro a gente passa por isso. Mas já passou dos limites”, conta Maria Lúcia Mariano, 54 anos.
A água de casa não foi suficiente sequer para o preparo do almoço da família de Andréa Borges de Oliveira, 35 anos. “Tivemos que pedir marmitex, mas fico pensando em quem não tem condições para comprar comida”, questiona. Outros moradores improvisaram e utilizaram água de geladeira para cozinhar.
Samantha Burgareli tem uma filha de colo e, para o dia inteiro, precisou se virar com um único balde d’água.
Já no apartamento de Ernani Mariano, 33 anos, garrafas pet se tornaram utensílios para o armazenamento de água. São dezenas delas que garantem a comida, a higiene básica e os banhos de quatro pessoas; duas delas crianças.
“O mais revoltante é que a conta vem. No mês passado, foram R$ 34,00. A gente paga pela água, mas não tem em casa”.
Reservatório vazio
Síndico do condomínio, Edson Soares da Silva mostrou o hidrômetro parado, sinalizando que o reservatório do residencial está vazio. “A água não chega de jeito nenhum”.
Uma reunião com lideranças de bairros próximos que também sofrem com o problema, embora em menor escala, deve acontecer na sexta-feira. Edson não descarta a organização de novos protestos.
Mistério
O Mirante da Colina é abastecido pelo poço Zona Norte/Lotes Urbanizados. Há defasagem de produção na área. Durante a manhã de ontem, por exemplo, o nível do reservatório estava pela metade. Por conta disso, um novo poço será perfurado para a região. A expectativa é de que ele comece a operar em até três meses.
Enquanto isso, a falta de água é frequente para 20 mil pessoas que vivem na Quinta da Bela Olinda, Pousada da Esperança I e II, Vila São Paulo e Jardim Ivone.
Presidente do DAE, Giasone Candia pontua, no entanto, que, diferentemente do que ocorre no residencial Mirante da Colina, nos outros locais abastecidos pelo poço Zona Norte, a água chega às torneiras durante a noite, quando o consumo é menor.
O JC apurou que, nas residências que estão defronte para o condomínio, o abastecimento também costuma ser regular.
“Realmente, o consumo é muito grande até por conta do calor. Mas acredito que o condomínio precisa chamar um técnico para saber o que acontece por lá. No entanto, também estamos fazendo essa averiguação. Alguns técnicos já foram até lá e devem voltar”, pontuou.
Já o engenheiro Ricardo Gonçalves Viana, da empresa Casa Alta, que construiu o Mirante da Colina, acredita que o problema seja causado pela falta de pressão.
“Isso impede que a água suba aos apartamentos. Quero conversar com o DAE sobre isso e também vamos mandar um técnico amanhã [hoje] para aferir a pressão. É preciso ressaltar que, nos primeiros meses do condomínio, esse problema não existia”.
Interrupção
Na manhã de ontem, a Companhia Paulista de Força de Luz (CPFL) informou o DAE sobre desligamento emergencial que foi executado na rede de energia da rodovia Bauru-Iacanga, no período das 14h às 18h de quarta-feira. Um poste estaria prestes a cair e precisava de reparos com urgência.
Durante a realização de serviços na rede elétrica, o poço Lotes Urbanizados parou de funcionar, agravando o desabastecimento de água nos bairros Quinta da Bela Olinda, Pousada da Esperança I e II, Vila São Paulo, Mirante da Colina e Jardim Ivone.
O DAE ressalta a importância dos reservatórios nos imóveis, solicita economia de água a esses consumidores e coloca à disposição dos mesmos caminhões-pipa através do 08007710195, que recebe ligações apenas de telefone fixo, ou 3235-6140 para ligações feitas por aparelho celular.