08 de julho de 2026
Geral

?Um chope pro Xerox!?

Samanta Ravazzi
| Tempo de leitura: 5 min

Novos Talentos do Jornalismo

A matéria desta página foi originalmente inscrita no concurso Novos Talentos do Jornalismo promovido pelo Jornal da Cidade e pela Agência Jornal Júnior da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru. A premiação ocorreu em novembro de 2013, no JC. Cada um dos dois vencedores recebeu um tablet. Novos concursos virão.

Leia abaixo a matéria que venceu na categoria Lazer, da estudante do 2º ano de jornalismo da USC, Samanta Ravazzi. De autoria do estudante de jornalismo do quarto ano da Unesp, Pablo Marques, a reportagem que venceu na categoria Denúncia foi publicada na edição de 15 de dezembro de 2013 do JC. A matéria mostrou os problemas no trânsito bauruense.


Malavolta Jr.

O garçom Antonio Carlos da Silva, o Xerox: sorriso no rosto e simpatia ímpar

Quem frequenta o Bar do Português, na esquina da rua Benjamin Constant com a Belém, sabe que “Um chopp pro Xerox!” é uma das frases mais ouvidas por ali, há pelo menos seis anos. É o tempo em que Antonio Carlos da Silva, mais conhecido como Xerox, trabalha no local. Sempre com um sorriso no rosto e dotado de uma simpatia ímpar, o garçom gosta de chamar os clientes pelo nome – se ele não conhece, pergunta logo de cara – e grita, para quem estiver trabalhando na chopeira, “tirar” um chope para que ele possa servir.

Xerox é uma das atrações do Bar do Português, que nasceu há 30 anos, com uma proposta bem diferente do que a atual. José Ravagnani comprou o então Empório Higienópolis, um botequinho de esquina, com cara de cidade de Interior. No mesmo ano, 1973, um imigrante português conhecido como “Senhor Alberto” comprou o local e lhe deu o simpático – e óbvio! – nome de Bar do Português. O Sr. Alberto ficou cinco anos por ali, até vender o local.

A história teria acabado assim se, em 2003, Fernando Mendes não tivesse tido a ideia de comprar o bar que tinha sido de seu avô. Fernando e a esposa, Paula Lamberti, decidiram que transformariam o local em um ambiente aconchegante, descontraído e agradável, que despertasse no frequentador a vontade de voltar mais vezes.

E foi o que aconteceu. Hoje, dez anos depois, o Bar do Português virou uma marca registrada e tem oito franquias espalhadas pelo Estado de São Paulo – a primeira delas, inaugurada em 2010, fica em Jaú e a última, que abriu suas portas ao público no início de 2013, em São José do Rio Preto – todas com a promessa de manter a qualidade e o sucesso de sua matriz, em Bauru.

Para Marcos Semensato, gerente e sócio-proprietário da matriz, o Bar do Português é uma ideia que funcionou.

“Meu cunhado [Fernando] e a esposa dele [Paula] tiveram essa ideia e deu certo. Nós queremos que o cliente se sinta em casa. A ideia é que o local seja um bar de happy hour, para encontrar os amigos depois do trabalho, porque o Português não é ‘bar de balada’, pois fecha às 23h30”.

Marcos diz que o movimento do bar é bem grande e aumenta ainda mais – em cerca de 20% – nas férias de julho.

“Apesar de Bauru ser um polo universitário, muitas pessoas daqui estudam em outras cidades e voltam nas férias de julho, já que nas férias de janeiro fechamos o Português por 30 dias. Tem também clientes que trabalham fora de Bauru e tiram férias em julho, então, quando estão na cidade, sempre voltam ao bar”, afirma.

Apesar dessa procura, o gerente não contrata funcionários extras para esse período. “Mesmo com um aumento considerável de movimento ainda damos conta da demanda. O que importa é que os funcionários tratem os clientes com atenção, respeito e carinho”, explica Marcos.

O professor de biologia Rogério Moraes é um desses clientes que pode comprovar o tratamento especial por parte dos funcionários. Rogério mora em Bauru e é um frequentador assíduo do bar. “O Português tem o melhor chope do Brasil e isso a Ambev (empresa fabricante do chope Brahma, servido no bar) já comprovou duas vezes. O atendimento é diferenciado, eu não sou apenas mais um cliente, eu sou o Moraes. Eles sabem como eu gosto do ‘colarinho’ do meu chope e sabem que a minha caneca é a número 92”.

A “caneca número 92” à qual o professor se refere faz parte do Clube do Chope do Bar do Português, que funciona da seguinte forma: o cliente compra uma “cota” de 50 vales-chopes, que são guardados em uma caneca numerada, com seu nome e uma senha à qual só ele tem acesso. Os chopes, nesse caso, saem 20% mais baratos. “A ideia do Clube do Chope é fidelizar cada vez mais o cliente”, afirma o gerente Marcos.


Prêmios

O Bar do Português não é reconhecido apenas pelos clientes: já ganhou vários prêmios, entre eles, dois troféus Choppeira de Ouro – de melhor chopp do Brasil –, três troféus Colarinho de Ouro – de melhor chope do Interior de São Paulo – e quatro certificados de especialista em chope, em concursos organizados pela Ambev. 

A equação chope bom + local agradável + porções saborosas + bom atendimento vem dando certo. O Bar do Português cresce cada dia mais em qualidade, reconhecimento e, principalmente, em público. “Nossa ideia é que o cliente venha e pense sempre em voltar”, diz o gerente. Pelo número de clientes, parece que funciona.


É Português? Tem que ter bacalhau!

Nem só de chope vive a fama do Bar do Português, afinal de contas, uma boa bebida pede um bom acompanhamento. O cardápio do bar é bem variado e feito para agradar todos os gostos: desde as tradicionais porções de queijo, azeitonas e salames até caldinhos de feijão, que são a sensação do inverno.

Mas o maior sucesso é, sem dúvidas, o bolinho de bacalhau. A porção é “figurinha fácil” nas mesas do Português e um pedido quase obrigatório para quem vai ao bar pela primeira vez, já que, no cardápio, é a foto mais apetitosa e convidativa aos olhos – e estômagos - dos clientes.

Em suas visitas ao bar, a empresária Louise Massola Bertozo escolhe, sempre, o bolinho de bacalhau. Mesmo que deguste outras porções, essa é a predileta. “O bolinho de bacalhau do Português é, sem dúvidas, o melhor que eu já comi. Além de ser saboroso e sequinho, vem acompanhado de uma pimentinha de dar água na boca. Não dá para resistir”.