Tem-se falado muito sobre direito à acessibilidade. Exigem-se rampas, rebaixos para cadeiras de rodas e elevadores nos prédios, ônibus e aeronaves. Muito justo, se se pretende incluir as pessoas com dificuldades de locomoção.
No "Minha casa, minha vida" há um percentual reservado: apartamentos no térreo, portas e corredores mais largos, barras para segurança do cadeirante, sanitários mais seguros. Interruptores estão em Braille, campainhas luminosas para pessoas que têm deficiência visual ou auditiva. Trata-se de assegurar o exercício do direito à mobilidade interna.
Na cidade, priorizam-se os carros, pedestres têm cada vez menos espaço. Nos prédios, os apartamentos encolhem para ceder lugar às garagens e respectivas entradas (ou saídas). Na área externa, caminhar está se tornando cada vez menos viável. As calçadas se estreitam, rebaixos inclinados para carros impedem pedestres de caminhar com segurança. Para cadeirantes, pior ainda.
Aconselha-se aos idosos que caminhem. O sedentarismo tem sido apontado como causa de menos saúde. No entanto, não se garante o direito de ir e vir nas calçadas da maioria das cidades. Aliás, cidadãs e cidadãos estão cada vez mais impedidas/os de caminhar. As inclinações das calçadas servem primeiramente aos carros. Pedestres que façam malabarismos para não cair. Não só os carros: diante de bares e restaurantes, mesas e cadeiras ocupam toda calçada de modo que pedestres sejam obrigados a andar na rua.
Enfim, a cidade não está sendo desenhada para cidadãs e cidadãos, mas principalmente para carros particulares. Não se trata apenas de cadeirantes ou bengalantes. O pouco respeito às pessoas, torna a acessibilidade cada vez mais difícil para pedestres comuns.
Numa sociedade que tende a contar, cada vez mais com pessoas idosas, é preciso ampliar na mesma proporção condições para se caminhar com segurança. O direito de ir e vir a pé é um dos mais fundamentais direitos a se respeitar. Acessibilidade é também segurança para se caminhar nas calçadas.
A autora, Iolanda Toshie Ide, é professora aposentada da Unesp