08 de julho de 2026
Nacional

Sem-teto prometem parar São Paulo

Por Reynaldo Turollo Jr. | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Após bloquear com 5 mil manifestantes três vias importantes da zona sul de São Paulo, sem-teto que ocupam um terreno no Jardim Ângela, na mesma região, prometem interdições ainda maiores nos próximos dias.

Com faixas vermelhas, o ato comandado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) atrapalhou o trânsito na marginal Pinheiros, na ponte do Socorro e na estrada do M’Boi Mirim por cerca de cinco horas na manhã de ontem.

O protesto foi uma resposta a declarações do prefeito Fernando Haddad (PT), que defendeu a implantação de um parque na área onde está o acampamento conhecido como Nova Palestina. “Nós vamos dar um tempo para o prefeito dar uma resposta. Se ele não der a que queremos, na semana que vem vai ser ainda maior”, disse o coordenador do MTST Guilherme Boulos.

A promessa é juntar os sem-teto de ontem com os das outras 12 ocupações do MTST na cidade para “fechar todas as principais avenidas”.

Mas, isso só deverá ocorrer após reunião entre o movimento e o secretário municipal de Relações Governamentais, João Antonio, na próxima quarta-feira. O encontro já estava marcado.

Ontem, depois do protesto, Haddad disse que não vai priorizar os sem-teto. “Se protestar e impedir a circulação for critério para atendimento, a cidade vai se desorganizar”, disse.

A Nova Palestina é o maior acampamento de São Paulo hoje. Começou com 2 mil famílias em 29 de novembro e, um mês depois, já tinha 8 mil. Há lista de espera para ter um barraco no local.

A área invadida, de um milhão de metros quadrados, é particular e foi declarada de interesse social para preservação ambiental.

O secretário João Antonio disse à reportagem que apresentará “duas ou três áreas (passíveis de desapropriação) como alternativa” ao terreno. “Reconhecemos que é uma situação explosiva”, afirmou.


Grupo pede libertação de manifestantes presos

Um grupo de pessoas fez na tarde de ontem um protesto em frente ao Theatro Municipal, no centro de São Paulo. Eles reivindicavam a libertação de quatro sem-teto, que estão presos desde o último dia 30.

Segundo a Polícia Militar, cerca de 30 pessoas participaram do ato, organizado pelo Coletivo Autônomo dos Trabalhadores Sociais. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) orientou que os motoristas que evitassem a região central e utilizassem o transporte público.

Os quatro sem-teto estão presos no CDP do Belém, na zona leste. No dia 30, eles participarem de um protesto cujo estopim foi a falta de um café da manhã.

Os quatro fazem parte de um grupo que, naquele ato por melhorias no albergue público Estação Vivência, na zona norte de São Paulo, fechou o trânsito de uma rua próxima com uma barricada de colchões e cobertores em chamas.

Os sem-teto são acusados de crimes graves: associação ao crime, dano qualificado ao patrimônio público e resistência à prisão. Se condenados às penas máximas, eles podem ser encarcerados por até oito anos.

Na manhã do último dia 30, cerca de 20 frequentadores do albergue se revoltaram ao serem informados que a refeição não seria servida. “O albergue não tem condições de receber pessoas. Sem café, eles resolveram protestar na rua”, disse Luciana Bedeschi, advogada que acompanha o caso.

Os frequentadores já estavam descontentes com a estrutura do local e reclamavam de alimentação ruim e presença de ratos no refeitório.

Ontem, a Folha de S.Paulo entrou no albergue. Faltava água nas torneiras, havia poças de água suja no chão e baratas mortas próximo ao pátio onde os frequentadores comem.

Durante o ato, a PM agiu e dispensou boa parte dos manifestantes. Prendeu quatro em flagrante: o auxiliar de limpeza Hudson da Silva, 23 anos; o entrevistador Enmanuel de Oliveira, 25 anos; o pedreiro Vantuir Guedes, 49 anos e o aposentado Alexandro Costa, 53 anos.