A Copa do Mundo e principalmente as eleições presidenciais devem estimular o crescimento das empresas de locação de veículos em 2014. Na avaliação de especialistas e empresas do setor, o ano, que já teria um desempenho bem acima da estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB), refletirá positivamente a realização dos dois eventos.
Para o presidente do Conselho Nacional da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla), Paulo Gaba, o crescimento do setor em 2014 deverá ser parecido com o de 2013, que, por sua vez, tende a repetir o nível de 2012, em torno de 9%. Segundo ele, sem a Copa e as eleições, o setor cresceria 8%. “O ano já seria positivo e os eventos vão coroar o resultado de 2014”, afirmou Gaba.
O impacto da Copa do Mundo tende a ser menor do que o das eleições, acredita Abla. Isso porque o aumento da demanda, apesar de acontecer, é mais localizado e por um menor intervalo de tempo quando comparado ao período de eleições.
“Enquanto o aumento dos aluguéis na Copa será sentido apenas nas cidades sede e por, no máximo, um mês, as eleições têm alcance nacional e o seu impacto deve ser sentido ao longo dos meses de agosto, setembro e outubro”, diz Gaba.
De acordo com relatório do HSBC, durante as últimas eleições presidenciais, o setor de locação cresceu 23%. Embora o crescimento do PIB de 2010 (7,5%) tenha sido bem superior ao esperado para 2014 (2%), os analistas estimam que, no mínimo, 9% da taxa de crescimento naquele ano pode ter sido diretamente atribuída às eleições.
Segundo projeção do diretor de Finanças e Relações com Investidores da Localiza, Roberto Mendes, a empresa deve apresentar um crescimento de seis a oito pontos percentuais durante o terceiro trimestre de 2014, impulsionado pelas eleições. No período, o segmento mais impactado deve ser o de locação mensal de frotas.
“Tendo em vista o cenário de 2013, para cada 1% de crescimento, é possível calcular um impacto de R$ 4 milhões no resultado”, estimou.
Copa
Já a perspectiva de um aumento da demanda no período da Copa não é tão forte devido a queda de aluguéis a executivos. “É importante destacar que na Copa é esperada uma desaceleração nas viagens de negócios, como acontece durante as férias em janeiro”, explicou Mendes.
Em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o executivo disse esperar que a experiência da Copa do Mundo Brasil seja semelhante à verificada na África do Sul, em 2010.
“Observamos que na África do Sul as empresas compraram muitos carros e tiveram uma grande decepção. Por isso, temos que ser cautelosos na aquisição de frota”. Mendes, no entanto, afirmou que a companhia traça um cenário mais favorável para a competição aqui, já que a expectativa da vinda de 600 mil turistas representa o dobro do público presente na Copa passada.
Como estratégia para os eventos, “a renovação de frotas já é uma realidade nas empresas”, aponta Gaba. A Localiza, por exemplo, irá antecipar em um mês a compra de carros já prevista, tanto na Copa quanto no período de eleições. Segundo Mendes, se a demanda chegar a ultrapassar a disponibilidade de carros da empresa, os carros colocados para venda também serão reativados.
Em todo o setor, a expectativa para o mercado é de que as locadoras aumentem entre 10% e 25% a compra de veículos em relação ao volume de 2013, aponta o diretor presidente da Locamerica, Luis Fernando Porto.
“Grande parte desse aumento será em função das compras das empresas que fazem rent-a-car. Para as empresas que terceirizam frota, como a Locamerica, o impacto está sendo sentido em função dos investimentos em infraestrutura que já acontecem no País”, explicou.